Aludindo à ilha de Upaon-Açu
– nome atribuído pelos Tremembés, “Ilha Grande” como se dizia” –, onde se
localiza a cidade de São Luís do Maranhão, o poeta, ali radicado, canta loas à terra
natal para afirmar a sua identidade e singularidade, destacando-lhe a conexão
com o mar, a história do país e, sobretudo, a poesia de que se reveste.
Com efeito, a ilha, notabilizada
por um legado intangível que a protege do olvido – no qual se inscrevem
renhidas lutas por liberdade e justiça, enquanto palco de embates históricos,
como a Revolta de Beckman (1684-1685) ou o seu papel na abolição da escravatura
–, projeta-se para o futuro “circundada de Poesia”, eis que arauta convicta da
signa de resistência contra a opressão e o silêncio.
J.A.R. – H.C.
Bandeira Tribuzi
(1927-1977)
O Signo
Cercada de águas e
sonhos,
de glória, de
maresia,
a ilha é sobretudo
circundada
de Poesia.
Cada ilha só não
naufraga
se o horizonte a
desafia
e embarca em naus de
velas pandas
de Poesia.
Cada ilha só
sobrevive
e afirma sua rebeldia
se sabe alçar a pura
asa
da Poesia.
Esta imortal ilha
maior,
Ilha Grande como se
dizia,
há de viver enquanto
for
sua a Poesia.
Não há passado
passado
(todo o futuro o
proclama)
se foi passado na
chama
da Liberdade.
Em: “Romanceiro da
cidade de São Luís”
(Publicação póstuma –
1979)
Panorama de São Luís do Maranhão
(Giuseppe Leone
Righini: pintor italiano)
Referência:
TRIBUZI, Bandeira. O
signo. In: __________. Obra poética. São Paulo, SP: Siciliano, 2002. p.
330.
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