Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Bandeira Tribuzi - O Signo

Aludindo à ilha de Upaon-Açu – nome atribuído pelos Tremembés, “Ilha Grande” como se dizia” –, onde se localiza a cidade de São Luís do Maranhão, o poeta, ali radicado, canta loas à terra natal para afirmar a sua identidade e singularidade, destacando-lhe a conexão com o mar, a história do país e, sobretudo, a poesia de que se reveste.

 

Com efeito, a ilha, notabilizada por um legado intangível que a protege do olvido – no qual se inscrevem renhidas lutas por liberdade e justiça, enquanto palco de embates históricos, como a Revolta de Beckman (1684-1685) ou o seu papel na abolição da escravatura –, projeta-se para o futuro “circundada de Poesia”, eis que arauta convicta da signa de resistência contra a opressão e o silêncio.

 

J.A.R. – H.C.

 

Bandeira Tribuzi

(1927-1977)

 

O Signo

 

Cercada de águas e sonhos,

de glória, de maresia,

a ilha é sobretudo circundada

de Poesia.

 

Cada ilha só não naufraga

se o horizonte a desafia

e embarca em naus de velas pandas

de Poesia.

 

Cada ilha só sobrevive

e afirma sua rebeldia

se sabe alçar a pura asa

da Poesia.

 

Esta imortal ilha maior,

Ilha Grande como se dizia,

há de viver enquanto for

sua a Poesia.

 

Não há passado passado

(todo o futuro o proclama)

se foi passado na chama

da Liberdade.

 

Em: “Romanceiro da cidade de São Luís”

(Publicação póstuma – 1979)

 

Panorama de São Luís do Maranhão

(Giuseppe Leone Righini: pintor italiano)

 

Referência:

 

TRIBUZI, Bandeira. O signo. In: __________. Obra poética. São Paulo, SP: Siciliano, 2002. p. 330.

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