Bretch retoma a
figura de Antígona, protagonista da tragédia clássica de Sófocles, para transformá-la
num símbolo de resistência moral e política contra as práticas tirânicas, em
defesa – claro está – da promoção da dignidade da pessoa humana, temas urgentes
no contexto do pós-2GM, num mundo abalado pelas atrocidades do nazifascismo.
Sirva o exemplo de
Antígona como uma divisa de resistência e de luta contra os opressores de cada época,
para que não se ceda à cumplicidade ou se cubra com o silêncio os descalabros
da injustiça praticados invariavelmente pelos regimes ditos autoritários,
impedindo, por conseguinte, que a relva possa medrar sobre o opróbrio da infâmia
por eles disseminada.
J.A.R. – H.C.
Bertolt Brecht
(1898-1956)
Antigone
Komm aus dem Dämmer
und geh
Vor uns her eine Zeit
Freundliche, mit dem
leichten Schritt
Der ganz bestimmten,
schrecklich
Den Schrecklichen.
Abgewandte, ich weiß
Wie du den Tod
gefürchtet hast, aber
Mehr noch fürchtest
du
Unwürdig Leben.
Und ließest den
Mächtigen
Nichts durch, und
glichst dich
Mit den Verwirrern
nicht aus, noch je
Vergaßest du Schimpf
und über der Untat wuchs
Ihnen kein Gras.
(1948)
Antígona diante de
Polinices morto
(Nikifóros Lýtras:
pintor grego)
Antígona
Vem do crepúsculo e
surge
um tempo para nós
amável, ligeiro o
passo
com determinação,
apavorante
para os apavorados.
Posta à margem, eu
sei
quanto temias a
morte; porém
maior temor ainda
tinhas
da vida sem
dignidade.
E aos poderosos tu
não
deixaste escapar, e
não
fizeste as pazes com
os embromadores,
nem esquecias
afrontas, a fim de que sobre o crime
não germinasse o
capim.
(1948)
Referências:
Em Alemão
BRECHT, Bertolt.
Antigone. In: __________. Gesammelte werke. Band n. 10. Frankfurt am Main, DE: Suhrkamp, 1967. s. 954.
Em Português
BRECHT, Bertolt. Antígona. Tradução de Geir Campos. In: __________. Poemas e canções. Seleção e tradução de Geir Campos. Ilustrações de Aluísio Carvão. Rio de Janeiro, GB: Civilização Brasileira, 1966. p. 196. (Coleção “Poesia Hoje”; Série “Poetas do Mundo”; v. 5)
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