Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Bertolt Brecht - Antígona

Bretch retoma a figura de Antígona, protagonista da tragédia clássica de Sófocles, para transformá-la num símbolo de resistência moral e política contra as práticas tirânicas, em defesa – claro está – da promoção da dignidade da pessoa humana, temas urgentes no contexto do pós-2GM, num mundo abalado pelas atrocidades do nazifascismo.

 

Sirva o exemplo de Antígona como uma divisa de resistência e de luta contra os opressores de cada época, para que não se ceda à cumplicidade ou se cubra com o silêncio os descalabros da injustiça praticados invariavelmente pelos regimes ditos autoritários, impedindo, por conseguinte, que a relva possa medrar sobre o opróbrio da infâmia por eles disseminada.

 

J.A.R. – H.C.

 

Bertolt Brecht

(1898-1956)

 

Antigone

 

Komm aus dem Dämmer und geh

Vor uns her eine Zeit

Freundliche, mit dem leichten Schritt

Der ganz bestimmten, schrecklich

Den Schrecklichen.

 

Abgewandte, ich weiß

Wie du den Tod gefürchtet hast, aber

Mehr noch fürchtest du

Unwürdig Leben.

 

Und ließest den Mächtigen

Nichts durch, und glichst dich

Mit den Verwirrern nicht aus, noch je

Vergaßest du Schimpf und über der Untat wuchs

Ihnen kein Gras.

 

(1948)

 

Antígona diante de Polinices morto

(Nikifóros Lýtras: pintor grego)

 

Antígona

 

Vem do crepúsculo e surge

um tempo para nós

amável, ligeiro o passo

com determinação, apavorante

para os apavorados.

 

Posta à margem, eu sei

quanto temias a morte; porém

maior temor ainda tinhas

da vida sem dignidade.

 

E aos poderosos tu não

deixaste escapar, e não

fizeste as pazes com os embromadores,

nem esquecias afrontas, a fim de que sobre o crime

não germinasse o capim.

 

(1948)

 

Referências:

 

Em Alemão

 

BRECHT, Bertolt. Antigone. In: __________. Gesammelte werke. Band n. 10. Frankfurt am Main, DE: Suhrkamp, 1967. s. 954.

 

Em Português

 

BRECHT, Bertolt. Antígona. Tradução de Geir Campos. In: __________. Poemas e canções. Seleção e tradução de Geir Campos. Ilustrações de Aluísio Carvão. Rio de Janeiro, GB: Civilização Brasileira, 1966. p. 196. (Coleção “Poesia Hoje”; Série “Poetas do Mundo”; v. 5)

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