Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Nicolás Guillén - Chegada

Neste poema, Guillén, poeta cubano, explora temas como identidade racial, desigualdade social e resistência cultural, tentando capturar a essência de um povo que reclama o seu lugar no mundo: o direito de ser, de pertencimento sem distinções a esta mesma América e a aspiração de, neste lado do Atlântico, se construir um futuro promissor a partir das raízes mais profundas da identidade negra.

 

Reconciliar-se com o passado de estruturas coloniais e sociais injustas, aceitando as consectárias feridas históricas – sem, no entanto, olvidá-las –, para se dar sentido à luta, à determinação e à vontade de transformar a realidade presente, tornando-a parte inarredável do “perfil definitivo de América”!

 

J.A.R. – H.C.

 

Nicolás Guillén

(1902-1989)

 

Llegada

 

¡Aquí estamos!

La palabra nos viene húmeda de los bosques,

y un sol enérgico nos amanece entre las venas.

El puño es fuerte

y tiene el remo.

 

En el ojo profundo duermen palmeras exorbitantes.

El grito se nos sale como una gota de oro virgen.

 

Nuestro pie,

duro y ancho,

aplasta el polvo en los caminos abandonados

y estrechos para nuestras filas.

Sabemos dónde nacen las aguas,

y las amamos porque empujaron nuestras canoas bajo

los cielos rojos.

 

Nuestro canto

es como un músculo bajo la piel del alma,

nuestro sencillo canto.

 

Traemos el humo en la mañana,

y el fuego sobre la noche,

y el cuchillo, como un duro pedazo de luna,

apto para las pieles bárbaras;

traemos los caimanes en el fango,

y el arco que dispara nuestras ansias,

y el cinturón del trópico,

y el espíritu limpio.

 

Traemos

nuestro rasgo al perfil definitivo de América.

 

¡Eh compañeros, aquí estamos!

La ciudad nos espera con sus palacios, tenues

como panales de abejas silvestres;

sus calles están secas como los ríos cuando

no llueve en la montaña,

y sus casas nos miran con los ojos pávidos

de las ventanas.

 

Los hombres antiguos nos darán leche y miel

y nos coronarán de hojas verdes.

 

¡Eh, compañeros, aquí estamos!

Bajo el sol

nuestra piel sudorosa reflejará los rostros húmedos

de los vencidos,

y en la noche, mientras los astros ardan en la punta

de nuestras llamas,

nuestra risa madrugará sobre los ríos y los pájaros.

 

En: “Sóngoro Cosongo” (1931)

 

Música na Merceria –

Havana Velha, Cuba

(Christina Tarkoff: artista norte-americana)

 

Chegada

 

Aqui estamos!

A palavra nos vem úmida dos bosques,

e um sol enérgico nos amanhece entre as veias.

O punho é forte

e sustenta o remo.

 

No olho profundo dormem palmeiras exorbitantes.

O grito nos sai como uma gota de ouro virgem.

 

Nosso pé,

duro e largo,

amassa o pó nos caminhos abandonados

e estreitos para nossas filas.

Sabemos onde nascem as águas,

e as amamos porque empurraram nossas canoas

sob os céus vermelhos.

 

Nosso canto

é como um músculo debaixo da pele da alma,

nosso singelo canto.

 

Trazemos o fumo pela manhã

e o fogo sobre a noite,

e a faca, como um duro pedaço de lua,

apta para as peles bárbaras;

trazemos os jacarés no lodo,

e o arco que dispara nossas ânsias,

e o cinturão do trópico,

e o espírito limpo.

 

Trazemos

nossas feições ao perfil definitivo da América.

 

Ei, companheiros, aqui estamos!

A cidade nos espera com seus palácios, tênues

como favos de abelhas silvestres;

suas ruas estão secas como os rios quando

não chove na montanha,

e suas casas nos espiam com os olhos assombrados

das janelas.

 

Os homens antigos nos darão leite e mel

e nos coroarão com folhas verdes.

 

Ei, companheiros, aqui estamos!

Debaixo do sol

nossa pele suada refletirá os rostos úmidos

dos vencidos,

e de noite, enquanto os astros ardam na ponta

de nossas chamas,

nosso riso madrugará sobre os rios e os pássaros.

 

Em: “Sôngoro Cosongo” (1931)

 

Referências:

 

Em Espanhol

 

GUILLÉN, Nicolás. Llegada. In: __________. Man-making words. Selected poems of Nicolás Guillén, translated, annotated, with on ·introduction by Robert Marquez and ·David Arthur McMurray. A bilingual edition: Spanish x English. 1st ed., 1st reprint. La Habana, CU: Editorial de arte y literatura, 1973. p. 142 and 144.

 

Em Português

 

GUILLÉN, Nicolás. Chegada. Tradução de Thiago de Mello. In: __________. Sôngoro cosongo e outros poemas. Seleção do autor, com a participação de Nancy Morejon e Thiago de Mello. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro, RJ: Philobiblion, 1986. p. 46-47. (Coleção “Poesia, sempre”; v. 9)

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