Neste poema, Guillén,
poeta cubano, explora temas como identidade racial, desigualdade social e
resistência cultural, tentando capturar a essência de um povo que reclama o seu
lugar no mundo: o direito de ser, de pertencimento sem distinções a esta mesma
América e a aspiração de, neste lado do Atlântico, se construir um futuro
promissor a partir das raízes mais profundas da identidade negra.
Reconciliar-se com o
passado de estruturas coloniais e sociais injustas, aceitando as consectárias
feridas históricas – sem, no entanto, olvidá-las –, para se dar sentido à luta,
à determinação e à vontade de transformar a realidade presente, tornando-a parte
inarredável do “perfil definitivo de América”!
J.A.R. – H.C.
Nicolás Guillén
(1902-1989)
¡Aquí estamos!
La palabra nos viene húmeda de los bosques,
y un sol enérgico nos amanece entre las venas.
El puño es fuerte
y tiene el remo.
En el ojo profundo duermen palmeras exorbitantes.
El grito se nos sale como una gota de oro virgen.
Nuestro pie,
duro y ancho,
aplasta el polvo en los caminos abandonados
y estrechos para nuestras filas.
Sabemos dónde nacen las aguas,
y las amamos porque empujaron nuestras canoas bajo
los cielos rojos.
Nuestro canto
es como un músculo bajo la piel del alma,
nuestro sencillo canto.
Traemos el humo en la mañana,
y el fuego sobre la noche,
y el cuchillo, como un duro pedazo de luna,
apto para las pieles bárbaras;
traemos los caimanes en el fango,
y el arco que dispara nuestras ansias,
y el cinturón del trópico,
y el espíritu limpio.
Traemos
nuestro rasgo al perfil definitivo de América.
¡Eh compañeros, aquí estamos!
La ciudad nos espera con sus palacios, tenues
como panales de abejas silvestres;
sus calles están secas como los ríos cuando
no llueve en la montaña,
y sus casas nos miran con los ojos pávidos
de las ventanas.
Los hombres antiguos nos darán leche y miel
y nos coronarán de hojas verdes.
¡Eh, compañeros, aquí estamos!
Bajo el sol
nuestra piel sudorosa reflejará los rostros húmedos
de los vencidos,
y en la noche, mientras los astros ardan en la
punta
de nuestras llamas,
nuestra risa madrugará sobre los ríos y los
pájaros.
En: “Sóngoro Cosongo”
(1931)
Música na Merceria –
Havana Velha, Cuba
(Christina Tarkoff:
artista norte-americana)
Chegada
Aqui estamos!
A palavra nos vem
úmida dos bosques,
e um sol enérgico nos
amanhece entre as veias.
O punho é forte
e sustenta o remo.
No olho profundo
dormem palmeiras exorbitantes.
O grito nos sai como
uma gota de ouro virgem.
Nosso pé,
duro e largo,
amassa o pó nos
caminhos abandonados
e estreitos para
nossas filas.
Sabemos onde nascem
as águas,
e as amamos porque
empurraram nossas canoas
sob os céus vermelhos.
Nosso canto
é como um músculo
debaixo da pele da alma,
nosso singelo canto.
Trazemos o fumo pela
manhã
e o fogo sobre a
noite,
e a faca, como um
duro pedaço de lua,
apta para as peles
bárbaras;
trazemos os jacarés
no lodo,
e o arco que dispara
nossas ânsias,
e o cinturão do
trópico,
e o espírito limpo.
Trazemos
nossas feições ao
perfil definitivo da América.
Ei, companheiros,
aqui estamos!
A cidade nos espera
com seus palácios, tênues
como favos de abelhas
silvestres;
suas ruas estão secas
como os rios quando
não chove na
montanha,
e suas casas nos
espiam com os olhos assombrados
das janelas.
Os homens antigos nos
darão leite e mel
e nos coroarão com
folhas verdes.
Ei, companheiros,
aqui estamos!
Debaixo do sol
nossa pele suada
refletirá os rostos úmidos
dos vencidos,
e de noite, enquanto
os astros ardam na ponta
de nossas chamas,
nosso riso madrugará
sobre os rios e os pássaros.
Em: “Sôngoro Cosongo”
(1931)
Referências:
Em Espanhol
GUILLÉN, Nicolás.
Llegada. In: __________. Man-making words. Selected poems of Nicolás
Guillén, translated, annotated, with on ·introduction by Robert Marquez and
·David Arthur McMurray. A bilingual edition: Spanish x English. 1st ed., 1st
reprint. La Habana, CU: Editorial de arte y literatura, 1973. p. 142 and 144.
Em Português
GUILLÉN, Nicolás. Chegada. Tradução de Thiago de Mello. In: __________. Sôngoro cosongo e outros poemas. Seleção do autor, com a participação de Nancy Morejon e Thiago de Mello. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro, RJ: Philobiblion, 1986. p. 46-47. (Coleção “Poesia, sempre”; v. 9)
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