Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Aglaia Costa de Souza - Rogativa

A poetisa carioca, radicada em Brasília, espera que os outros sejam condescendentes caso não corresponda aos seus apelos, pois em contraposição às ações que dela se esperam, tem ela outras tantas missões que talvez lhe façam mais sentido, naquilo que forem capazes de contentar-lhe o espírito.

Brevidade, praticidade, lógica, rudeza, justiça e lucidez são os pontos levantados na rogativa da autora, para os quais há embaraçantes contrapontos que a levam à outra margem do rio, ali onde há uma incontinência, um transbordamento a obstá-la de manter as coisas sob absoluto controle.

J.A.R. – H.C.

Aglaia Costa de Souza

Rogativa

Não me peçam
para ser breve:
estou enterrando um amor
(e o amor está sempre vivo).

Não me peçam
para ser prática:
estou destecendo uma vida
(e a vida mal principia).

Não me peçam
para ser lógica:
só, estou nadando em salmoura
(e a praia ainda se avista).

Não me peçam
para ser rude:
estou despregando os cravos
(e a carne recende, aflita).

Não me peçam
para ser justa:
estou desatando uma teia
(e a trama se urde sozinha).

Não me peçam
para ser lúcida:
estou arrancando raízes
(e as ramas loucas florindo).

Escutando de Chopin
(Vladimir Volegov: pintor russo)

Referência:

COSTA DE SOUZA, Aglaia. Rogativa. In: __________. Murmúrio: poesia. Apresentação de Carlos Alberto dos Santos Abel. Brasília, DF: Thesaurus & Asefe, 1993. p. 73.

Nenhum comentário:

Postar um comentário