Alpes Literários
Subtítulo
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
César Vallejo - Noite de Natal
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
António Salvado - Poemas de Natal
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Tomás Kim - Tempo de Natal
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Walter de la Mare - Visco
domingo, 20 de dezembro de 2015
Emily Dickinson - O Salvador deve ter sido
sábado, 19 de dezembro de 2015
Geraldo Reis - Nenhum Natal
O poeta mineiro Geraldo Reis não evoca Natal algum
que seja pleno de rosas e de beleza, senão apenas de espinhos e de desventuras,
de abalos; tampouco coisas que lhe sejam próximas, como estrelas ou árias: nesse
mundo em desencanto, lamenta a perda da magia do Natal à medida que o tempo
passa e todos envelhecemos.
Lembra-se ele tão somente de hipotéticas caravelas
heroicas a singrar mares que não vão além da estrutura dos armários da casa, de
onde emerge a memória do grito suado dos garis, provavelmente vindo da rua:
tais imagens, decerto, tencionam firmar um contraste entre a inocência e as
ilusões da infância e a dura realidade diária da vida adulta.
Apesar das circunstâncias adversas – da ganância à
avareza –, a vida e mesmo a beleza perduram, pondo-nos a salvo das ondas de
desditas que teimam em obstruir as veredas humanas.
J.A.R. – H.C.
Geraldo Reis
(n. 1949)
Nenhum Natal
Nenhum Natal nas
roseiras
Só desejo de
espinhos,
Intenções de
naufrágio
Pendendo dos galhos.
E as rosas todas,
embora,
Comidas na antemanhã
Da cobiça e do ouro,
Eis que anoitece,
cantamos.
E não tem erva
daninha,
Estrela, olhos longe,
fado
Ama seca, pedra pome,
ária
Na expressão desse
abalo.
Para o menino
sonhando caravelas
No mistério de mares
embutidos
Só
e apenas
o grito suado dos garis
Brotando da memória
dos armários.
Dezembro
(Paul Cornoyer:
pintor norte-americano)
Referência:
REIS, Geraldo. Nenhum
Natal. In: SAVARY, Olga (Organização, seleção, notas e apresentação). Antologia da nova poesia brasileira.
Rio de Janeiro, RJ: Fundação Rio / Hipocampo, 1992. p. 118.


























