Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 25 de junho de 2016

Brasileirão 2016 - Fim da 10ª Rodada - Projeção para o Fim

Prezado(a)s,

I. Vai aqui a primeira projeção para o final do Brasileirão 2016, transcorridas as dez primeiras rodadas do certame, a partir das métricas do “Modelo Esotérico-Matemático” (MEM).

II. Mal começou a coisa, e o Botafogo já se encontra no Z4: talvez já tenha se acostumado aos rebaixamentos! Nesse plano, os seus dirigentes deveriam consultar o procurador do Fluminense, para ver se conseguem viradas de mesa espetaculares! (rs).

III. Menos mal, que o MEM projeta o time da estrela solitária fora da zona, embora... no limite, ou seja, na 16ª posição, somente para manter o seu torcedor sob tensão até o fim!

IV. Na outra ponta, embora saiba o porquê de o Internacional estar sendo apontado na liderança pela corrente projeção, em nenhum momento apostaria que se tornará, de fato, campeão ao final das 38 rodadas, pois o padrão do futebol apresentado pelo Colorado dentro das quatro linhas é, no mínimo, sofrível, somente comparável ao da Selecinha do Dunga.

V. De fato, tudo se passa como reflexo do nível geral do ludopédio por estas paragens: confrontar o futebol jogado pelas seleções da Eurocopa e o dos domingos à tarde no Brasil, leva-me a um sono profundo no sofá da sala!

Um abraço a todo(a)s,

J.A.R. – H.C.

 

Christian Poslaniec - Lição de poesia

Encontrei o poema abaixo numa pequena antologia poética produzida por um colégio localizado em Estrasburgo, cujo nome, “François Truffaut”, faz homenagem ao grande diretor de cinema francês.

Christian Poslaniec, o seu autor, é um escritor especializado em literatura infantil e juvenil, podendo tal faceta ser constatada nos versos a seguir transcritos: o poeta imagina-se como um poema escrito por um infante, resultante de experiências visuais, táteis, olfativas e auditivas, autênticos “buquês de emoções, lotes de sensações, verdadeiras, vivenciadas”, matéria-prima indispensável à boa poesia!

J.A.R. – H.C.

Christian Poslaniec
(n. 1944)

Leçon de poésie

Si j’étais un poème
Ecrit par un enfant,
Je creuserai des trous dans les mémoires fortes
Pour regarder à l’intérieur,
Pour en connaître la couleur.

Puis je caresserais
Les pattes des matous,
Le bec des hirondelles,
Le poli des cailloux,
Le rugueux des moustaches,
Pour voir comment ça fait.

J’écouterais longtemps tout ce qui fait du bruit,
Le froissement des feuilles,
La craie sur le tableau,
Le cliquetis des clés
Qui ouvrent les mystères,
Les pas sur les pavés.

Je fourrerais mon nez partout où ça sent drôle,
Partout où ça sent bon,
Et même où ça ne sent
Ni l’oeillet ni la rose.

Il me faudrait tout ça pour qu’un enfant m’écrive
Et me nomme poème.
Des bouquets d’émotions,
Des tas de sensations,
Véritables,
Vécues.

Après, il chercherait des mots pour vous le dire.

O Farfalhar das Folhas no Outono
(Sergey Zhiboedov: artista russo)

Lição de poesia

Se eu fosse um poema
Escrito por uma criança,
Escavaria fendas em memórias indeléveis
Para perscrutar o interior,
E lá encontrar a cor.

Depois acariciaria
As patas dos gatos,
O bico das andorinhas,
O brunido dos seixos,
O áspero dos bigodes,
Para sentir o efeito que provocam.

Escutaria por muito tempo tudo o que faz ruído,
O farfalhar das folhas,
O giz sobre a lousa,
O estrépito das teclas
Que desatam os mistérios,
Os passos sobre os calçamentos.

Meteria meu nariz onde houvesse um cheiro esquisito,
Em toda parte com odor agradável,
E mesmo onde não houvesse perfume
Nem de cravo nem de rosa.

E levaria tudo isso para que uma criança me redija
E me nomeie poema.
Buquês de emoções,
Lotes de sensações,
Verdadeiras,
Vivenciadas.

Depois, ela procuraria por palavras para lhe contar.

Referência:

POSLANIEC, Christian. Leçon de poésie. In: DUREL, Florent et al. Petite anthologie poétique. Strasbourg, FR: Collège François Truffaut, 2011. p. 10. Disponível neste endereço.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Emily Dickinson - Porque não tinha tempo para a Morte

Como muitos outros, este poema de Dickinson tem a morte por tema: no caso, um espírito rememora tudo o que se passou até o momento presente, desde o instante em que baixou à sepultura.

Séculos transcorreram e ele ainda se lembra vividamente das ocorrências ao longo desse trânsito, em especial a sensação de que foi acometido quando vislumbrou as cabeças dos cavalos que levavam adiante a carruagem mortuária, rumo ao campo santo.

J.A.R. – H.C.

Emily Dickinson
(1830-1886)

Because I could not stop for Death

Because I could not stop for Death –
He kindly stopped for me –
The Carriage held but just Ourselves –
And Immortality.

We slowly drove − He knew no haste
And I had put away
My labor and my leisure too,
For His Civility.

We passed the School, where Children strove
At Recess − in the Ring −
We passed the Fields of Gazing Grain −
We passed the Setting Sun −

Or rather − He passed Us −
The Dews drew quivering and chill −
For only Gossamer, my Gown −
My Tippet − only Tulle −

We paused before a House that seemed
A Swelling of the Ground −
The Roof was scarcely visible −
The Cornice − in the Ground −

Since then − ’tis Centuries − and yet
Feels shorter than the Day
I first surmised the Horses’ Heads
Were toward Eternity –

Portões do Cemitério
(Marc Chagall: pintor russo-francês)

Porque não tinha tempo para a Morte

Porque não tinha tempo para a Morte
Ela gentil veio buscar-me –
A Carruagem só levou nós Duas –
E a imortalidade.

Fomos sem pressa – a Morte não tem pressa
E por dever da Cortesia
Eu tinha posto o meu Lazer de lado
E o Afã do dia-a-dia.

Passamos pela Escola onde as Crianças
Brincavam no Recreio –
Pelos Campos de Grãos que nos olhavam –
Pelo Sol a esconder-se –

Ou talvez era o Sol que nos passava –
De frio já tremia o Orvalho –
Era uma renda fina meu Vestido –
Tule – meu Agasalho –

Paramos junto de uma Casa que era
Como um monturo ali no solo –
O Telhado já quase não se via –
A Cornija – no Solo –

Desde então – já faz séculos – e eu acho
Mais longo o Dia – na verdade –
Que as Caras dos Cavalos nos guiavam
Para a Eternidade –

Referências:

Em Inglês

DICKINSON, Emily. Because I could not stop for death. In: __________. The complete poems of Emily Dickinson. Edited by Thomas H. Johnson. Boston, MA: Little, Brown and Company, 1960. p. 350.

Em Português

DICKINSON, Emily. Porque não tinha tempo para a morte. In: __________. Alguns poemas. Tradução de José Lira. São Paulo, SP: Iluminuras, 2008. p. 207.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Marc Chagall - Só é meu o país que trago dentro da alma

Renomado artista surrealista russo-francês de origem judaica, Chagall viveu o dilema do exílio, a se refletir nos caracteres de suas pinturas, nas quais figuras humanas raramente firmam os pés no solo, possivelmente a aludir a esse estado de seminomadismo e instabilidade que deixa tudo em suspenso.

Tudo são memórias e lembranças passadas no íntimo do pintor-poeta, estas sim com todo o potencial para serem levadas aonde quer que o ser humano se desloque, decerto um ancoradouro ímpar para os voos de imaginação, tão necessários ao mecanismo da criação artística.

J.A.R. – H.C.

Marc Chagall
(1887-1985)

Seul est mien le pays qui se trouve dans mon âme

Seul est mien
Le pays qui se trouve dans mon âme
J’y entre sans passeport
Comme chez moi
Il voit ma tristesse
Et ma solitude
Il m’endort
Et me couvre d’une pierre parfumée

En moi fleurissent des jardins
Mes fleurs sont inventées
Les rues m’appartiennent
Mais il n’y a pas de maisons
Elles ont été détruites dès l’enfance
Les habitants vagabondent dans l’air
A la recherche d’un logis
Ils habitent mon âme

Voilà pourquoi je souris
Quand mon soleil brille à peine
Ou je pleure
Comme une légère pluie dans la nuit

Il fut un temps où j’avais deux têtes
Il fut un temps où ces deux visages
Se couvraient d’une rosée amoureuse
Et fondaient comme le parfum d’une rose

A présent il me semble
Que même quand je recule
Je vais en avant
Vers un haut portail
Derrière lequel s’étendent des murs
Où dorment des tonnerres éteints
Et des éclairs brisés

Seul est mien
Le pays qui se trouve dans mon âme

Eu e a Aldeia
(Marc Chagall)

Só é meu o país que trago dentro da alma

Só é meu
O país que trago dentro da alma.
Entro nele sem passaporte
Como em minha casa.
Ele vê a minha tristeza
E a minha solidão.
Me acalanta.
Me cobre com uma pedra perfumada.

Dentro de mim florescem jardins.
Minhas flores são inventadas.
As ruas me pertencem
Mas não há casas nas ruas.
As casas foram destruídas desde a minha infância.
Os seus habitantes vagueiam no espaço
À procura de um lar.
Instalam-se em minha alma.

Eis porque sorrio
Quando mal brilha o meu sol.
Ou choro
Como uma chuva leve na noite.

Houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
Houve tempo em que essas duas caras
Se cobriam de um orvalho amoroso.
Se fundiam como o perfume de uma rosa.

Hoje em dia me parece
Que até quando recuo
Estou avançando para uma alta portada
Atrás da qual se estendem muralhas
Onde dormem trovões extintos
E relâmpagos partidos.

Só é meu
O mundo que trago dentro da alma.

Referências:

Em Francês

CHAGALL, Marc. Seul est mien le pays qui se trouve dans mon âme. In: __________. Poèmes. Genève, CH: Cramer Editeur, 1975. p. 129.

Em Português

CHAGALL, Marc. Só é meu o país que trago dentro da alma. Tradução de Manuel Bandeira. In: BANDEIRA, Manuel. Antologia poética. 6. ed. Rio de Janeiro, GB: Sabiá, 1961. p. 212.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ralph Waldo Emerson - A montanha e o esquilo

Nesta célebre fábula, Emerson procura veicular a ideia de que todos somos importantes nas missões a que cada um de nós incumbe. Seja um simples esquilo, em sua tarefa aparentemente simplória de quebrar nozes, seja a poderosa montanha que é capaz de carregar uma floresta inteira em suas encostas.

A mensagem muita se assemelha à da canção dos anos 80, “O Sal da Terra”, do compositor Beto Guedes: “Vamos precisar de todo mundo / um mais um é sempre mais que dois / Para melhor juntar as nossas forças / É só repartir melhor o pão”.

J.A.R. – H.C.

Ralph Waldo Emerson
(1803-1882)

Fable

The mountain and the squirrel
Had a quarrel,
And the former called the latter “Little Prig”,
Bun replied,
“You are doubtless very big;
But all sorts of things and weather
Must be taken in together.
To make up a year
And a sphere.
And I think it no disgrace
To occupy my place.
If I’m not so large as you,
You are not so small as I,
And no half so spry.
I’ll not deny you make
A very pretty squirrel track;
Talents differ; all is well and wisely put;
If I cannot carry forests on my back,
Neither can you crack a nut”.

Lanche Vespertino II - Esquilo Vermelho
(Rebecca Latham: pintora norte-americana)

Fábula

A montanha e o esquilo
Tiveram uma querela,
E aquela a este chamou “Pequeno Insolente”,
Ao que o esquilo replicou,
“Você é indubitavelmente muito grande;
Mas o tempo e todas as classes de coisas
Devem ser conjugados
Para se completar um ano
E um corpo celeste.
E penso que não seja nenhuma desventura
Ocupar o meu lugar.
Se não sou tão grande quanto você,
Você não é tão pequena quanto eu,
E nem pela metade tão ativa.
Não negarei que sua encosta
É uma formosa trilha para esquilos.
Os talentos diferem; tudo está bem e cuidadosamente disposto;
Se eu não posso carregar florestas em minhas costas,
Tampouco pode você quebrar nozes”.

Referência:

EMERSON, Ralph Waldo. Fable - The mountain and the squirrel. In: MAGALHÃES JÚNIOR, Eduardo. Tickling the muses: anthology of american poetry. Maceió, AL: Edufal - Editora da Universidade Federal de Alagoas, 1989. p. 22.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Stéphane Mallarmé - O túmulo de Charles Baudelaire

Mallarmé presta aqui um tributo enigmático – para não dizer obscuro – a seu conterrâneo Baudelaire, da mesma forma que o dispensou ao escritor e poeta norte-americano Allan Poe, neste outro soneto.

Suas alusões se tornam meio ambíguas em razão de que não há pontuação – à exceção, é claro, do ponto final – para conceder recurso sintático ao poema, o que muito contribuiria para a sua correta interpretação pelo leitor.

O relevo que Mallarmé confere às imagens do túmulo, sob o duplo auspício de Anubis e da prostituta, parece evocar a fragrância sedutora e mortal das “flores do mal”, verdadeiros rubis que emergem dos humores do lodo.

J.A.R. – H.C.

Stéphane Mallarmé
(1842-1898)

Le tombeau de Charles Baudelaire

Le temple enseveli divulgue par la bouche
Sépulcrale d’égout bavant boue et rubis
Abominablement quelque idole Anubis
Tout le museau flambé comme un aboi farouche

Ou que le gaz récent torde la mèche louche
Essuyeuse on le sait des opprobres subis
Il allume hagard un immortel pubis
Dont le vol selon le réverbère découche

Quel feuillage séché dans les cités sans soir
Votif pourra bénir comme elle se rasseoir
Contre le marbre vainement de Baudelaire

Au voile qui la ceint absente avec frissons
Celle son Ombre même un poison tutélaire
Toujours à respirer si nous en périssons.

Representação de Anubis

O túmulo de Charles Baudelaire

O templo tumular divulga em sepulcral
Boca de esgoto as gotas de lodo e rubis
Abominavelmente algum ídolo Anubis(*)
Todo o focinho a arder como um uivo brutal

Ou que o gás novo aviva a mecha trivial
Submissa a opróbrios sabe-se uma meretriz
Ele acende selvagem um imortal púbis
Cujo voo entre lâmpadas é sensual

Que louros a secar em vilas sem poente
Votivos vão benzer como ela põe-se ausente
Inútil frente ao mármore de Baudelaire

No véu que vibra e a ela ausente a envolver
Aquela a Sombra dele um vírus protetor
Por sempre a respirarmos até no estertor.

Túmulo de Baudelaire
(Cemitério de Montparnasse: Paris)

Nota do Tradutor:

(*) Anubis: antigo deus egípcio, com o corpo de homem e cabeça de chacal. Era quem presidia os sepulcros.

Referência:

MALLARMÉ, Stéphane. Le tombeau de Charles Baudelaire / O túmulo de Charles Baudelaire. Tradução de José Lino Grünewald. In: __________. Stéphane Mallarmé: poemas. Tradução e notas de José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira, 2015. Em francês: p. 34; em português: p. 35. (Coleção “Saraiva de bolso”)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Alfred Edward Housman - As leis de Deus, as leis do homem

Housman contempla Deus, neste poema, como um legislador de cujas normas discorda, por insólitas, tanto quanto discorda, com a mesma convicção, das leis humanas. Mas o poeta alude especificamente a um tipo de norma que, por sua natureza, não é possível cumprir, a despeito das ineludíveis exigências da sociedade.

Isso me faz lembrar de certa passagem do livro “Deus: um delírio”, de Richard Dawkins (2008, p. 51), que aqui menciono em tradução livre: “O Deus do Antigo Testamento é sem dúvida o personagem mais desagradável da ficção: ciumento e orgulhoso; mesquinho, injusto, inclemente controlador; vingativo, limpador étnico e sanguinário; misógino, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, intimidador caprichosamente malévolo”.

A referência assomou-me à razão, porque penso que, como Dawkins, Housman fosse um ateu ou tenha flertado, em determinado momento da vida, com o ateísmo, ou, talvez ainda, na melhor das hipóteses, defendia o agnosticismo. Seja como for, afirma o poeta, como não é possível migrar para Saturno ou Mercúrio, ainda que em espírito, o jeito é se sujeitar a tais leis...

J.A.R. – H.C.

Alfred Edward Housman
(1859-1936)

The laws of God, the laws of man

The laws of God, the laws of man,
He may keep that will and can;
Not I: let God and man decree
Laws for themselves and not for me;
And if my ways are not as theirs
Let them mind their own affairs.
Their deeds I judge and much condemn,
Yet when did I make laws for them?
Please yourselves, say I, and they
Need only look the other way.
But no, they will not; they must still
Wrest their neighbor to their will,
And make me dance as they desire
With jail and gallows and hell-fire.
And how am I to face the odds
Of man’s bedevilment and God’s?
I, a stranger and afraid
In a world I never made.
They will be master, right or wrong;
Though both are foolish, both are strong.
And since, my soul, we cannot fly
To Saturn nor to Mercury,
Keep we must, if keep we can,
These foreign laws of God and man.

(wr. 1900; pub. 1922)

Moisés com a Tábua dos Dez Mandamentos
(Rembrandt: pintor holandês)

As leis de Deus, as leis do homem

As leis de Deus, as leis do homem.
Prevalecer pode a vontade Dele.
Não, a minha: que Deus e o homem as ordenem
Para si próprios, não para mim.
E, se não são os deles os meus caminhos,
Que sejam eles os responsáveis.
Julgo-lhes as ações e com rigor as condeno.
Entretanto, alguma vez voz me deram para legislar?
Exultem-se com elas, assim entendo, eles apenas
Observando-as necessitam de ficar.
Porém, não, não o farão; o que devem ainda tentar é
Seduzir e convencer seus semelhantes.
Oscilar me fazem segundo o seu desejo,
Entre a prisão, a forca e o fogo do inferno.
Neste impasse, como enfrentar os desafios
Das durezas dos homens e de Deus?
Um estranho amedrontado me sinto
Num mundo que não construí.
Estando certos ou errados, soberanos serão.
Embora tolos ambos sejam, ambos são fortes.
E, desde que, como espíritos, não possamos voar
Para Saturno nem para Mercúrio,
Estas leis de Deus e do homem, quanto possível,
Obedecer devemos ainda que delas discordando.

(red. 1900; pub. 1922)

(Tradução de Cunha e Silva Filho)

Referências:

Em Inglês

HOUSMAN, Alfred Edward. The laws of god, the laws of man. In: BLYTH, Caroline (Ed.). Decadent verse: an anthology of late-victorian poetry, 1872-1900. London (EN): Anthem Press, 2011. p. 700.

DAWKINS, Richard. The god delusion. New York, NY: Houghton Mifflin Company, 2008.

Em Português

HOUSMAN, Alfred Edward. As leis de Deus, as leis do homem. Disponível neste endereço. Acesso: 28 abr. 2016.