Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Nelson Ascher - Encontros

Ascher, autor e tradutor que dispensa apresentações, dialoga, certamente, com as proposições de Aurélio Buarque de Holanda, atinentes ao conceito do “Homem Cordial”, a perpassar a sua obra “Raízes do Brasil”, de 1936: por trás da aparente cortesia e amabilidade do brasileiro, há sempre algo em erupção, à espera silente para irromper, afastando-o do quadro de aparente polidez.

Mas Ascher transplanta ao domínio das relações sociais um padrão que se estabelece na área de Ciências Exatas, num paralelo assemelhado ao de Niklas Luhmann (1927-1998), quando aplica homologicamente a Teoria da Autopoiseis, dos biólogos chilenos Maturana (n. 1921) & Varela (1946-2001), ao âmbito da Sociologia do Direito.

Explico-me melhor: na conversão de um homem polido e cordial a alguém capaz de expressar a mais incisiva hostilidade, o poeta enxerga uma forma de manifestação da Segunda Lei da Termodinâmica, nomeadamente a Lei que trata do fenômeno de expansão da entropia do universo, grandeza capaz de medir o grau de desordem e correspondente degradação da energia de um sistema. Tudo a ver, não?!

J.A.R. – H.C.

Nelson Ascher
(n. 1958)

Encontros

Há gente que eu encontro
na rua e me sorri
(o fósforo, dormindo
ensimesmado dentro

da caixa, sonha incêndios)
e eu lhes sorrio; há gente
que encontro numa loja
e me sorri (a lâmina

da faca que repousa
numa gaveta aguarda
o dedo distraído)
e eu lhes sorrio; há gente

que encontro na garagem
e me sorri (o fio
se aquece na parede
acalentando alguma

faísca) e eu lhes sorrio;
há gente que eu encontro
até no elevador
e me sorri (a carne

que está na geladeira
fermenta aos poucos sua
toxina), eu lhes sorrio
e cada qual de nós,

descendo em seu andar,
ligando o carro (salvo
se acaba de guardá-lo),
fazendo (ou não) as compras

e prosseguindo rua
abaixo ou rua acima,
medita na segunda
lei da termodinâmica.

Em: “Parte Alguma” (2005)

Jael e Sísera
(Jacopo Amigoni: pintor italiano)

Referência:

ASCHER, Nelson. Encontros. In: PINTO, Manuel da Costa (Edição, Seleção e Comentários). Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo, SP: Publifolha, 2006. p. 31-33.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Gwendolyn MacEwen - Pinheiros Escuros Sob a Água

Segundo a poetisa canadense, somos como aquele que passa a vida em um sono, pois o modo de se conhecer a si mesmo furta-se à racionalidade do mundo concebido pelo homem, manifestando-se por meio de um conhecimento mais primário e elementar, presente nos abismos de nossa mente, à espera de que, nalgum dia, venha a se revelar num plano que nos seja decifrável.

Trata-se de uma exploração que, apesar de se pretender “epifânica”, não é menos dolorosa, pois o que está sob as águas pode se mostrar ainda mais pesaroso e dominante do que está por cima, como num icebergue ou na metáfora que se lhe associa pela canção “Balada do Lado Sem Luz”, de autoria de Gilberto Gil e sucesso na voz de Maria Bethânia.

J.A.R. – H.C.

Gwendolyn MacEwen
(1941-1987)

Dark Pines Under Water

This land like a mirror turns you inward
And you become a forest in a furtive lake;
The dark pines of your mind reach downward,
You dream in the green of your time,
Your memory is a row of sinking pines.

Explorer, you tell yourself, this is not what you came for
Although it is good here, and green.
You had meant to move with a kind of largeness,
You had planned a heavy grace, an anguished dream.

But the dark pines of your mind dip deeper
And you are sinking, sinking, sleeper
In an elementary world;
There is something down there and you want it told.

In: “The Shadow-Maker” (1969)

Navegando ao longo de um rio
(William Moore Davis: pintor norte-americano)

Pinheiros Escuros Sob a Água

Esta terra como um espelho vira-te para dentro
E convertes-te numa floresta em um lago furtivo;
Os pinheiros escuros de tua mente medram para baixo,
Sonhas com o verde dos teus dias,
Tua memória é uma fileira de pinheiros a submergir.

Explorador, dizes a ti mesmo, não foi para isto que vieste,
Ainda que seja bom aqui, e verde.
Cogitavas mover-te com uma espécie de magnanimidade,
Havias planejado uma intensa graça, um sonho angustiado.

Mas os pinheiros escuros de tua mente submergem mais fundo
E estás a imergir, imergir, adormecido
Em um mundo elementar;
Há algo lá embaixo e queres que se manifeste.

Em: “O Criador de Sombras” (1969)

Referência:

MacEWEN, Gwendolyn. Dark pines under water. In: __________. Volume one: the early years. Edited by Margaret Atwood and Barry Callaghan. Introduction and introductory notes by Margaret Atwood. Second printing. Toronto, ON (CA): Exile Editions, 2002. p. 156.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Juan Gelman - A Fênix

O falante, identificado como Jó − um dos profetas dos gentios na literatura rabínica −, resignado com o seu destino, a seu ver, lídima expressão da vontade divina, dirige-se certamente a Javé, Ele que, para fazer frente a insidiosos agravos de Satã, permitiu a este a supressão de todas as benesses palpáveis ao fidelíssimo homem, vale dizer, riquezas, filhos e saúde física.

Veja-se que, segundo a história bíblica, Jó em nenhum momento ousou dirigir-se de modo colérico a Javé, mesmo diante de tantas desventuras que lhe sobrevieram, motivo pelo qual, finda a prova que lhe fora imposta − sem a sua própria aquiescência, consigne-se! −, foram-lhes restaurados, ainda em melhor estado, os recursos de que antes usufruía.

J.A.R. – H.C.

Juan Gelman
(1930-2014)

Él Fénix

fui soberbio/creí
que eras una página en blanco
como tu alma/confundí
tu bondad con candor/tu candor
con desvío del mundo/escribí
líneas equivocadas/palabras/
en la noche obsedida de mí/pero no
fui ojos para el ciego/pies al rengo/
me creí revestido de justicia/pensaba
“pereceré en mi nido y como el fénix
redoblaré mis días”/pero fui
insensato y grosero/equivoqué
mi camino hacia vos/
roto el muro/forzada la puerta/
las penas se arrojaron sobre mí/
se empecinan en mí/que ya no soy nada/
te fuiste como el viento/vos/lo que más amé/
mis huesos/parentela
del polvo y la ceniza/
claman por vos y no me oís/
estoy en tu presencia y no me ves/
corto mis pasos hacia vos/
pacto no verte con mi vista/
y tengo un solo paradero: la muerte/

job

O último suspiro da fênix
(Mahmoud Farshchian: artista iraniano)

A Fênix

fui soberbo/acreditei
que eras uma página em branco
como tua alma/confundi
tua bondade com candor/teu candor
com desvio do mundo/escrevi
linhas equivocadas/palavras/
na noite obsedada de mim/mas não
fui olhos para o cego/pés para o coxo
me acreditava revestido de justiça/pensava
“perecerei em meu ninho e como a fênix
redobrarei meus dias”/mas fui
insensato e grosseiro/errei
meu caminho rumo a ti/
quebrado o muro/forçada a porta/
as aflições se precipitaram sobre mim/
aferram-se em mim/que já sou nada/
partiste como o vento/tu/o que mais amei/
meus ossos/linhagem
do pó e a cinza/
clamam por ti e não me ouves/
estou em tua presença e não me vês/
dirijo meus passos rumo a ti/
pactuo não te ver com minha vista/
e tenho um só paradeiro: a morte/


Referência:

GELMAN, Juan. El fénix / A fênix. Tradução de Andityas Soares de Moura. In: __________. Com/posiociones / Com/posições. Tradução, introdução e notas de Andityas Soares de Moura. Edição bilíngue. Belo Horizonte, MG: Crisálida, 2007. Em espanhol: p. 134; em português: p. 135.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

João Cabral de Melo Neto - Poesia

Cabral nos fala da “atmosfera sobrenatural” da poesia, que subjaz à tangibilidade das coisas visíveis, cujas vozes serão sobrepujadas por uma “voz imensa” que “dorme no mistério” do mundo, essa voz que aspira por expressar o quanto de inopinado, de surpreendente e de aleatório nele subsiste, a revelar o sublime que paira no inefável, no infinito e no eterno.

Diga-se que, por mais que alguns poemas revelem um tipo de poesia pautado pela racionalidade e pela lógica, a poesia não tem a ambas como condição ‘sine qua non’ para a sua existência, uma vez que se caracteriza por ser uma forma “iluminadora” de apreensão da realidade, uma tentativa de capturar o que denota ser, por natureza, inexplicável ou incomensurável: logo, valem o inconsciente e o intuitivo como formas de prospectar essa vasta e semi-inescrutável plataforma da poesia.

J.A.R. – H.C.

João Cabral de Melo Neto
(1920-1999)

Poesia

Deixa falar todas as coisas visíveis
deixa falar a aparência das coisas que vivem no tempo
deixa, suas vozes serão abafadas.
A voz imensa que dorme no mistério sufocará a todas.
Deixa, que tudo só frutificará
na atmosfera sobrenatural da poesia.

(1937)

Em: “Primeiros Poemas” (1990)

Lady Macbeth
(Johann Heinrich Füssli: pintor suíço)

Referência:

MELO NETO, João Cabral de. Poesia. In: __________. Selected poetry: 1937-1990. Edited by Djelal Kadir. A blingual edition: Potuguese x English. Publisher by University Press of New England. Hanover, NH: Wesleyan University Press, 1994. p. 6.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A. R. Ammons - Emerson

Um poema de Ammons dedicado a Ralph W. Emerson, famoso escritor, filósofo e poeta norte-americano, buscando afirmar a aliança de pensamentos e filosofia de vida entre os dois autores, o primeiro como se um pássaro ou algo capaz de voar fosse, o segundo simbolizado por uma pedra, quiçá a própria lápide onde jazem os restos mortais de Emerson.

O ente lírico espera compartilhar pedra e voo com o finado pensador, sendo necessário que um se abaixe e outro se erga para que a distância entre ambos se encurte: seja como for, a poesia de Ammons não deixa de apresentar forte influência, em sua temática, dos luminares “transcendentalistas”, como Emerson e Whitman, num estilo e numa abordagem artística, contudo, muito particulares.

J.A.R. – H.C.

A. R. Ammons
(1926-2001)

Emerson

The stone longs for flight,
the flier for a bead, even
a grain, of connective stone:
which is to say, all
flight, of imaginative hope or
fact, takes accuracy from stone:

without the bead the flier
released from
tension has no true
to gauge his motions in:
assured and terrified by
its cold weight, the stone

can feather the thinnest
possibility of height:
that you needed
to get up and I down
leaves us both still
sharing stone and flight.

In: “Diversifications” (1975)

Ralph Waldo Emerson
(1803-1882)

Emerson

A pedra aspira por voar,
o que voa por uma conta, até mesmo
um grânulo, de uma pedra conectiva:
o que significa dizer que todo
voo, factual ou de imaginativa
esperança, ampara-se na precisão da pedra:

sem a conta, o que voa,
liberado da
tensão, não tem parâmetros para
calibrar seus movimentos no voo:
segura e pávida pelo
seu frio peso, a pedra

pode reduzir a mais diminuta
possibilidade de altura:
impõe-se que
te ergas e eu desça,
para que ambos ainda
compartilhemos pedra e voo.

Em: “Diversificações” (1975)

Referência:

AMMONS, A. R. Emerson. In: PORTE, Joel; MORRIS, Saundra (Sels. & Eds.). Emerson’s prose and poetry. New York, NY; London, EN: W. W. Norton & Company, 2001. p. 654. (A Norton Critical Edition)

domingo, 20 de setembro de 2020

Haris Vlavianos - Retrato de um jovem como um miserável poeta

Embora um pouco longo para uma postagem – afinal, são ao todo quatro seções que dão sequência à narrativa do sucedido com um jovem e miserável poeta −, este poema do grego Vlavianos vale a pena ser lido na íntegra, diante de suas espirituosas modulações, afora o fato de que o seu título leva-nos à associação, de uma forma ou de outra, à obra “Retrato do artista quando jovem”, romance autobiográfico publicado em 1916, pelo irlandês James Joyce.

Na penúltima seção sabe-se que o poeta ainda mantém contato com suas antigas amantes, que lhe dizem que os novos parceiros, com quem têm filhos e casas de campo em estações aprazíveis, amam-nas de verdade, enunciados que se convertem sarcasticamente na mente do ente lírico em: “Mas isso não é amor, / é conta corrente conjunta”.

Por fim, numa tentativa de mitigar a insuportável dor por que passa, lança-se a ler, nos pequenos cafés da praça, um romance qualquer de um autor russo já falecido: escolhe “Oblómov”, de Ivan Gontcharóv, um personagem bonachão que mal tem coragem para se levantar do sofá para fazer qualquer ação, sequer em proveito próprio, como atos de administração das herdades que legara de seus ascendentes.

J.A.R. – H.C.

Haris Vlavianos
(n. 1957)

Portrait of a young man as a miserable poet
[γ σχεδίασμα/ελληνική εκδοχή]

όπως τον φαντάστηκε ο J. S.

1.

Ντύνεται πάντοτε κομψά.
Φοράει μπλε σταυρωτά κουστούμια
με ανοιχτόχρωμα πουκάμισα και κόκκινες γραβάτες.
Είναι αυτός που φτάνει τελευταίος στα dinner-parties
και περπατάει μόνος στον κήπο του σπιτιού
παρακολουθώντας από μακριά τα ζευγάρια να χαριεντίζονται
και τους σερβιτόρους να φλερτάρουν διακριτικά
τα ψηλόλιγνα κοριτσάκια με τις χρυσές ανταύγειες και τα mules.

2.

Οι άντρες
αχύσαρκα ανθρωποειδή
με την καλλιέργεια του Ντάφυ Ντακ και τους τρόπους του Λόρδου Χάλιφαξ)
συζητούν για τι άλλο; την άνοδο των επιχειρηματικών επιτοκίων,
ενώ οι ανορθωμένες συμβίες τους
για το λαμπρό μέλλον των τέκνων τους
Οξφόρδη, Χάρβαρντ, Σορβόννη.

Τον πλησιάζει με τρόπο η κυρία Κ. (με την αστραφτερή κόρη της Μ.)
αμφότερες σεσημασμένες μουσόπληκτες
Ζητώντας επίμονα να μάθουν
«τι γράφει τώρα».
«Τίποτα», απαντάει ξερά
και κατευθύνεται (τρέχοντας σχεδόν) στην αίθουσα του μπιλιάρδου,
αδειάζοντας καθ οδόν μισό ποτήρι ουίσκι
στη φωταγωγημένη πισίνα.

3.

Στο δωμάτιο το ανθοδοχείο είναι γεμάτο πασχαλιές.
Αύριο έχει λαϊκή και Βασιλόπουλο
μην ξεχάσει τ απορρυπαντικά και το βερνίκι για τα παπούτσια.
Η Ουκρανή οικονόμος (ξανθός άγγελος εξ ουρανού)
του λέει να μην απελπίζετα
«αφού στο τέλος όλα τακτοποιούνται».
Όπως οι παλιές του ερωμένες
καλοπαντρεμένες, με δυο-τρία κουτσούβελα
και εξοχικό στην Άνδρο / Τήνο / Μύκονο.
«Με αγαπάει πραγματικά!» του λένε
κάθε φορά που τους τηλεφωνεί για να ευχηθεί.
Αλλά αυτό δεν είναι αγάπη,
είναι κοινός τραπεζικός λογαριασμός,
ψιθυρίζει εκείνος.

4.

Κάθεται σ ένα από τα μικρά καφέ της Πλατείας.
Μόνος,
διαβάζοντας ένα πληκτικό μυθιστόρημα.
Θα έπρεπε να έχει θυμηθεί το dictum:
«όταν είσαι σε δίλημμα
ένας νεκρός Ρώσος συγγραφέας
είναι πάντοτε η πιο ενδεδειγμένη λύση».
Νιώθει σαν τον Ομπλόμοφ,
λίγο πριν από τη στιχομυθία της οριστικής απόρριψης.
Κάποτε
ριν από μία εβδομάδα;
τρεις μήνες;
δέκα χρόνια;)
κάποιος τον πλήγωσε βαθιά.
Ο πόνος είναι αφόρητος.

São Jorge e o Dragão
(Odilon Redon: pintor francês)

Portrait of a young man as a miserable poet
[3º esboço/versão grega]

… como o imaginou J. S.

1.

Veste-se sempre com elegância.
Usa trajes azuis cruzados
com camisas claras e gravatas vermelhas.
É aquele que chega por último nas dinner-parties
e passeia sozinho pelo jardim da casa
acompanhando de longe os casais namorando
e os garçons flertando discretamente
com as esbeltas garotas de reflexos dourados e mules.

2.
Os homens
(humanoides obesos
com a cultura de um Patolino e as maneiras de um Lorde Halifax)
discutem – sobre o que mais? – a subida das taxas de juros dos negócios,
enquanto suas esposas restauradas
sobre o futuro brilhante de seus filhos –
Oxford, Harvard, Sorbonne.

Achega-se educadamente a senhora K. (com sua reluzente filha M.)
– ambas marcadas pelas musas –
querendo insistentemente saber
“o que escreve agora”.
“Nada”, responde ríspido
e se dirige (quase correndo) à sala de bilhar,
esvaziando no caminho meio copo de uísque
na piscina iluminada.

3.

No quarto o vaso de flores está cheio de lilases.
Amanhã tem feira e Vassilopoulos –
que não esqueça o detergente e a graxa para os sapatos.
A governanta ucraniana (anjo loiro do céu)
lhe diz para que não se desespere
“no final tudo se ajeita”.
Como suas antigas amantes –
bem-casadas, com duas ou três crianças
e casa de campo em Andros / Tinos / Mykonos.
“Me ama de verdade!” lhe dizem
cada vez que lhes telefona para parabenizar.
Mas isso não é amor,
é conta corrente conjunta,
ele sussurra.

4.
Senta-se em um dos pequenos cafés da Praça.
Sozinho,
lendo um romance tedioso.
Deveria lembrar-se do dictum:
“quando tens um dilema
um escritor Russo morto
é sempre a solução mais apropriada”.
Sente-se como Oblómov,
pouco antes do diálogo da rejeição final.
Outrora
(há uma semana?
três meses?
dez anos?)
alguém o feriu profundamente.
A dor é insuportável.

Referência:

VLAVIANOS, Haris. Portrait of a young man as a miserable poet. Tradução do grego por Miguel Sulis. In: SULIS, Miguel. Διακοπεσ στην πραγματικοτητα / Férias na realidade. (n.t.) Revista Literária em Tradução. Florianópolis, SC. Edição bilíngue semestral, ano 6, n. 10, 1º vol., jun. 2015. Em grego: p. 111-114; Em português: p. 130-133. Disponível neste endereço. Acesso em 29 jun. 2020.