Alpes Literários

Alpes Literários

Subtítulo

UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Brasileirão 2023: 35ª Rodada - Projeções do Modelo Esotérico-Matemático (M.E.M.)

Faltando ainda um jogo para se completar a 35ª rodada do torneio – nomeadamente Goiás x Cruzeiro –, e com os resultados do final de semana, as métricas do M.E.M. passaram a exibir o Flamengo como campeão da temporada, 1,6 ponto a mais do que o atual líder, o Palmeiras (para melhor visualização das tabelas, dê um clique em cima de cada uma delas).

 

O rol do G6, como há várias rodadas o dissemos, já se encontra cristalizado, não devendo ter alterações entre as equipes que, desde então, tanto quanto agora, o compõem.

 

Na parte de baixo, a disputa pela quarta vaga do Z4 também é acirrada, com o M.E.M. ainda indicando a queda do Bahia, embora a distância da métrica de pontos o deixe a apenas 2,7 de onde hoje se projeta o Fortaleza, o que indica que poderá haver alguma surpresa.

 

De tudo quanto aqui se disse, muito certamente, o campeão e o último rebaixado somente serão conhecidos na 38º e última rodada do campeonato. Quem viver, verá! (rs)

 

Voltaremos ao final da próxima rodada, a 36ª, para novas projeções.

 

J.A.R. – H.C.

 

Fontes:

 

Chance de Gol

Infobola

UFMG Matemática

 

domingo, 26 de novembro de 2023

Juan Gustavo Cobo Borda - Poética

O poeta interroga-se sobre o seu próprio mister, a relevância de se pôr a escrever sobre “velhas glórias”, “antigos conflitos” ou “imprevistas ternuras”, quando poderia se ocupar com “coisas muito mais úteis”, relevantes, considerando que, no mundo, há questões mais prementes, não explicitamente elencadas, embora as possamos presumir: a pobreza, os imparáveis conflitos bélicos, a fome ou outras mais.

 

Mas se o exercício da poesia fosse assim tão despiciendo, desimportante, por que então se deter a redigir mais uma poesia sobre a moribunda poesia? Apenas como praxe conjectural, poder-se-ia arguir que, se o poeta desmerece a poesia que se volta a tentar reviver o passado, por que então não se tornar o visionário de um futuro mais equilibrado para a humanidade? Será que, desse modo, as “dúvidas” seriam ainda mais amplificadas?...

 

J.A.R. – H.C.

 

Juan Gustavo C. Borda

(1948-2022)

 

Poética

 

¿Cómo escribir ahaora poesía,

por qué no callarnos definitivamente

y dedicarnos a cosas mucho más útiles?

¿Para qué aumentar las dudas,

revivir antiguos conflitos,

imprevistas ternuras;

ese poco de ruido

añadido a un mundo

que lo sobrepasa y anula?

¿Se aclara algo con semejante ovillo?

Nadie la necesita.

Residuo de viejas glorias,

¿a quién acompanha, qué heridas cura?

 

O Poeta

(Grus Lindgren: artista sueco)

 

Poética

 

Como escrever poesia agora,

por que não nos calar definitivamente

e nos dedicar a coisas muito mais úteis?

Para que aumentar as dúvidas,

reviver antigos conflitos,

imprevistas ternuras;

esse pouco de ruído

acrescido a um mundo

que o sobrepassa e anula?

Algo se aclara com semelhante enredamento?

Ninguém precisa disso.

Resíduo de velhas glórias,

a quem acompanha, que feridas cura?

 

Referência:

 

BORDA, Juan Gustavo Cobo. Poética. In: LUQUE, José María Gómez (Org.). Antología de lá poesía hispanoamericana. 4. reimp. Madrid, ES: Editorial Alba, 1999. p. 70.

 

sábado, 25 de novembro de 2023

Simon Vestdijk - Autorretrato

Rembrandt (1606-1669) pintou mais de 80 (oitenta) autorretratos, como o que ora ilustra esta postagem, tentando captar os traços do rosto e, talvez mais que isso, o que lhe ia na mente, seus pensamentos e emoções:

 

Sua série de autorretratos forma um completo estudo autobiográfico de si mesmo, indo desde os soberbos e elegantes da juventude, até os sombrios e sóbrios dos últimos anos, em que nos proporciona uma análise inflexível das vaidades humanas. (STUIVELING, s.d., p. 63)

 

Vestdijk, poeta e romancista conterrâneo de Rembrandt, busca transmutar em versos o que se plasma num desses autorretratos do artista já envelhecido, como se a mensagem transmitida pelas imagens alertasse os jovens sobre os efeitos corrosivos da passagem do tempo, não mais o da estação florescente e fecundante, senão o da irrupção da decadência e da invernia.

 

J.A.R. – H.C.

 

Simon Vestdijk

(1898-1971)

 

Zelfportret

 

Wacht u voor deze grijns, dit is de oude

Niet meer, de onvergankelijke niet meer.

Dit is de hoonlach die wij overhouden

Als ’t leven voortkruipt na de ommekeer.

 

Niet meer het veelbewogen bloeien, zeer

In trek bij de tuinieren van de Gouden

Lusthof, niet meer de spelen van mooi weer

En mooie meisjes, die óók bloeien zouden.

 

Triomf der tandloosheid: grijsaards bijten

Wel feller dan de trotse jonglingschap:

Zij bijten met hun rimpels en hun ogen,

Die, héél ver af, de bloeienden verwijten

Dat ze in de lentewind zijn weggevlogen

En niet meer lachen om de satansgrap.

 

Uit: “Rembrandt en de engelen” (1956)

 

Autorretrato

(c. 1662)

(Rembrandt van Rijn: pintor holandês)

 

Autorretrato

 

Do amargo rir te guarda, isto não é

Já o velho, o que passou.

Este é o cortante riso que nos restou

Quando uma vida se dobra à velhice.

 

Não mais os brotos movimentados,

Amados dos jardineiros do Éden

Dourado, não mais encantos de tempo bom

E belas moças, também brotando.

 

Triunfo da falta de dentes: os velhos mordem,

Porém mais forte que o jovem orgulhoso:

Pois mordem com suas rugas, seus olhos

E dão, de longe, exemplo aos jovens

Que então fugiram ao vento da primavera

E não mais se riram das piadas de Satã.

 

Em: “Rembrandt e os anjos” (1956)

 

Referências:

 

Em Holandês

 

VESTDIJK, Simon. Zelfportret. Disponível neste endereço. Acesso em: 20 nov. 2023.

 

Em Português

 

VESTDIJK, Simon. Autorretrato. Tradução de Zélia Couto. In: STUIVELING, Garmt. Excursão através da literatura holandesa. Tradução de Carlos Cotrim. Hilversum, NL: Radio Nederland Wereldomroep, s.d. p. 63-64.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Brasileirão 2023: 34ª Rodada - Projeções do Modelo Esotérico-Matemático (MEM) a partir dos 34 jogos realizados por cada equipe

Com a realização dos jogos atrasados de algumas equipes, tem-se agora um quadro em que todas elas já disputaram 34 jogos, gerando efeitos nas métricas do M.E.M., assim como modificando as probabilidades calculadas pelos três ‘sites’ abaixo mencionados.

 

Com 12 pontos em disputa e apenas 4,2 pontos projetados entre o 1º e o 6º colocados, não há como ser peremptório em relação a quem vai ser campeão ao final do certame.

 

Mas seria capaz de especular uma coisa: se o Palmeiras vencer o Fortaleza no domingo, em Fortaleza (CE), as chances de ser campeão serão elevadíssimas, pois jogará na sequência, em casa, contra o América-MG, já rebaixado, e o Fluminense (que certamente levará um time misto, em razão do Mundial já próximo e, além disso, não tão afeito a favorecer o Flamengo), e finalmente fora, contra o Cruzeiro, quando um simples empate lhe basta, para levantar o título, vejam só, talvez por saldo de gols. Mas, se empatar com o Fortaleza, terá que vencer o Cruzeiro além dos seus domínios, o qual poderá estar ainda tentando se desvencilhar do rebaixamento (ou não, e nesse caso as coisas se facilitam para o time alviverde).

 

Na parte de baixo, o M.E.M. já “aposta”, com alguma folga, no rebaixamento de Bahia, Goiás, Coritiba e América-MG. Fazer o quê?! (rs)

 

Aguardemos a próxima rodada...

 

J.A.R. – H.C.

 

Fontes:

 

Chance de Gol

Infobola

UFMG Matemática

 

 

Paulo Bomfim - Basta de ser o outro

Não a cópia caudatária, epígona de sonhos não realizados dos ascendentes – “colcha de retalhos alheios” –, mas o ser autêntico, presente em corpo e espírito a cada momento, com suas vontades próprias, seus justos anseios! Não que tal orientação seja uma desconsideração por quem nos trouxe à vida, contudo a lição mais meritória que os pais poderiam passar aos filhos é a do autogoverno, da autonomia, da independência responsável no pensar e no agir.

 

Uma observação: os versos alusivos à devolução à terra dos elementos químicos legados, ao mesmo tempo que têm algo de hilariante, acabam por desvelar que a pretensa independência entre gerações sucessivas corresponde apenas a uma hipótese em tese, passível de verificação a muito custo no que tange ao arbítrio, mas de dubitável apuração ao nível infra! (rs)

 

J.A.R. – H.C.

 

Paulo Bomfim

(1926-2019)

 

Basta de ser o outro

 

Basta de ser o outro…

O herdeiro da terra,

O neto de seus avós!

Basta de ser

O que leu

E o que ouviu…

À terra devolvo

O cálcio, o ferro, o fósforo;

À nuvem devolvo a água rubra,

Aos mortos,

As angústias herdadas,

Aos vivos

Os gestos e as palavras recebidas…

Basta de ser o outro,

Colcha de retalhos alheios,

Cobrindo um frio verdadeiro.

 

O eu autêntico

(Tamara Ghandour: artista libanesa)

 

Referência:

 

BOMFIM, Paulo. Basta de ser o outro. In: __________. Antologia poética. São Paulo, SP: Livraria Martins Editora, ago. 1962. p. 37.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Rogelio Echavarría - A Felicidade

O poeta joga com a lógica probabilística para questionar as razões pelas quais seria ele o único homem para quem sua companheira “é toda a felicidade no mundo”, enquanto há miríades de homens sobre a terra que, desconhecendo-a ou tendo-a amado por algum tempo, desfrutam, por igual, de uma felicidade tão ou mais intensa.

 

Há quem diga que tal fato se deve aos efeitos do arroubo amoroso do falante em relação à parceira. Contudo, afirmam os psicólogos, melhor seria que o ente lírico se encontrasse em uma relação na qual compartilhasse a sua felicidade com a consorte, pois que depositar exaustivas expectativas de felicidade em outra pessoa equivaleria a uma fórmula segura para futuros desencantos.

 

J.A.R. – H.C.

 

Rogelio Echavarría

(1926-2017)

 

La Felicidad

 

Hay miríadas de seres en el Universo

que son felices – y no te conocen.

 

Millones de personas en la tierra

son felices – e ignoran que existes.

 

Muchos también te han visto

y son felices sin amarte.

 

Y algunos que te amaron

disfrutan de un feliz olvido.

 

¿Por qué, pues, soy yo el único hombre

para quien tú eres toda la felicidad en el mundo?

 

Essa feliz inquietude

(Alida Spiranec-Sestan: artista croata)

 

A Felicidade

 

Há miríades de seres no Universo

que são felizes – e não te conhecem.

 

Milhões de pessoas na terra

são felizes – e ignoram que existes.

 

Muitos também te viram

e são felizes sem te amar.

 

E alguns que te amaram

desfrutam de um feliz esquecimento.

 

Por que, pois, sou eu o único homem

para quem tu és toda a felicidade no mundo?

 

Referência:

 

ECHAVARRÍA, Rogelio. La felicidad. In: COTE, Ramón (Comp.). Antología de poesía colombiana contemporánea. Bogotá, CO: Ministerio de Cultura; Biblioteca Nacional de Colombia, 2018. p. 91. (BC Literatura: Biblioteca Básica de Cultura Colombiana)