A escritora e poetisa
finlandesa, numa escrita em sueco, discorre vividamente sobre a natureza
multifacética da beleza, ampliando o seu conceito para abarcar uma gama de
experiências humanas e fenômenos naturais, desde o sublime até o trágico, pois
que lhe parece não se tratar de algo linear ou superficial, senão de uma
expressão dinâmica e, em determinados sentidos, até mesmo paradoxal.
Digo isto porque ela
não radica unicamente no que se nos apresenta como agradável ou harmonioso, mas
também no que se nos revela pungente ou doloroso, haja vista que mesmo na tristeza
pode haver uma forma de beleza com potencial para comover e engrandecer o
espírito – o que, de alguma forma, revela outro de seus atributos, a saber, a
capacidade para reconciliar opostos.
Södergran sugere,
ademais, que a verdadeira beleza surge quando alguém ousa se tornar autêntico,
único, irrepetível, forjando um selo de autenticidade a tudo o que cursa pela
via de seus pensamentos, falas e ações – característica inconfundível de uma
existência humana em seu estado mais puro, especifique-se melhor, sem máscaras,
sem afetações.
J.A.R. – H.C.
Edith Södergran
(1892-1923)
Skönhet
Vad är skönhet? Fråga
alla själar –
skönhet är varje
överflöd, varje glöd, varje överfyllnad
och varje stort
armod;
skönhet är att vara
sommaren trogen och naken intill
hösten;
skönhet är papegojans
fjäderskrud eller solnedgången
som bebådar storm;
skönhet är ett skarpt
drag och ett eget tonfall: det är jag,
skönhet är en stor
förlust och ett tigande sorgetåg,
skönhet är
solfjäderns lätta slag som väcker ödets fläkt;
skönhet är att vara
vällustig som rosen eller att förlåta
allting för att solen
skiner;
skönhet är korset
munken valt eller pärlbandet damen
får av sin älskare,
skönhet är icke den
tunna såsen i vilken diktare servera
sig själva,
skönhet är att föra
krig och söka lycka,
skönhet är att tjäna
högre makter.
Från: “Samlade dikter”
(1949)
Mulher com um leque
(Jean D. A. Metzinger:
pintor francês)
Beleza
O que é beleza?
Pergunta a todas as almas –
beleza é toda
abundância, toda brasa, todo excesso
e toda grande
pobreza;
beleza é ser fiel ao
verão e estar nu para o outono;
beleza é a veste
emplumada do papagaio
ou o pôr-do-sol pressentindo
tempestades;
beleza é um traço
marcado e um tom próprio: sou eu,
beleza é uma grande
perda e um cortejo silente,
beleza é o pulsar leve
do leque despertando o sopro
do destino;
beleza é ser prazeroso
como a rosa ou tudo perdoar
porque brilha o sol;
beleza é a escolha
monástica da cruz ou
o colar de pérolas que
a mulher recebe do amado,
beleza não é o molho
ralo com que o poeta serve
a si mesmo,
beleza é declarar guerra
e buscar felicidade,
beleza é servir aos poderes
do alto.
Em: “Poemas
coligidos” (1949)
Referências:
Em Sueco
SÖDERGRAN, Edith. Skönhet.
In: __________. Dikter. Helsingfors / Borgå, FI: Holger Schildts Förlag,
1916. s. 87-88.
Em Português
SÖDERGRAN, Edith.
Beleza. Tradução de Marcia Sá Cavalcante Schuback. Poesia sempre:
revista trimestral de poesia. Suécia. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de
Janeiro (RJ), ano 13, n. 25, p. 148, 2006.
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