Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS
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terça-feira, 13 de julho de 2021

13 de Julho - Dia Mundial do Rok

Para os amantes do rock, como este que vos escreve, vai aqui uma interpretação de Toto para a clássica “While My Guitar Gently Weeps”, de George Harrison (The Beatles, 1968), meio ao estilo “rock ballad”. 

J.A.R. – H.C.


While My Guitar Gently Weeps

(George Harrison)

Interpretação: Toto



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domingo, 19 de maio de 2019

Jimmie Cox - Ninguém Te Conhece Quando Estás Arruinado

Cox nos fala das falsas amizades que temos, ou melhor, daquelas que só permanecem ao nosso lado para usufruir alguma coisa que derive de nossas posses, pela temporada que, no alto, perdurar a espiral de afluxo de riqueza e bens em nosso favor. Passada essa fase, você permanecerá sozinho, até pôr-se novamente de pé – quando, então, todos quererão ser o velho amigo que esteve sumido por muito tempo!

De fato, este poema é uma letra para uma composição tantas vezes gravada e regravada, desde que o seu autor a lançou em 1923. No vídeo abaixo, pode-se ver o cantor e compositor inglês Eric Clapton interpretando-a, com pequenas variações no conteúdo da letra da canção.


J.A.R. – H.C.

Jimmie Cox
(1882-1925)

Nobody Knows You When You’re Down and Out

Once I lived my life as a millionaire
Spending my money and I didn’t care
Taking my friends out for a mighty fine time
Drinking high-priced liquor, champagne, and wine
When I began to fall low
I didn’t have a friend and no place to go
If I ever get my hands on a dollar again
I’m gonna hold it till the eagle grins

Nobody knows you
When you’re down and out
In your pocket, not one penny
And your friends, you haven’t any
But as soon as you get on your feet again
Everybody wants to be your long lost friend
It’s might strange, without a doubt
Nobody knows you when you’re down and out

Arruinado depois de 1898
(László Mednyánszky: pintor húngaro)

Ninguém Te Conhece Quando Estás Arruinado

Uma vez gozei a vida como um milionário,
Gastando meu dinheiro sem dar-lhe importância,
Levando meus amigos a passar por muito bons momentos,
Bebendo licor, champanhe e vinho caros.
Logo comecei a cair ao nível mais baixo,
Não tinha nenhum amigo, nem lugar aonde ir.
Se alguma vez voltar a ter um dólar em minhas mãos,
Vou mantê-lo até que a águia (*) exiba o seu sorriso.

Ninguém te conhece
Quando estás arruinado.
Em teu bolso nenhum centavo,
De teus amigos, nenhum te resta;
Porém assim que voltares a te levantar,
Todo mundo quererá ser teu amigo sumido
há bastante tempo.
É deveras estranho, sem dúvida:
Ninguém te conhece quando estás arruinado.

Nota:

(*). Faz-se referência à águia presente no papel-moeda do dólar, do que se deduz que a expressão queira dizer, mais ou menos, “até que a sorte volte a sorrir para mim”.

Referência:

COX, Jimmie. Nobody knows you when you’re down and out. In: KEILLOR, Garrison (Selector and Introducer). Good poems. New York, NY: Penguin Books, 2003. p. 262.
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sábado, 29 de julho de 2017

Patrick Kavanagh - Lembrança de Meu Pai

Mais um poeta desamparado pela perda de um ente querido (rs): o irlandês Kavanagh caminha pelos logradouros da cidade, e em todos os homens de idade avançada vê a figura de seu próprio pai, já ausente.

É um estado mental que revela a não assimilação completa do fenômeno da perda, a morte como experiência capaz de provocar ranhuras indeléveis no espírito de quem ficou: faz ou não lembrar o eloquente exemplo da letra de “Canção da América” (1980), de Milton Nascimento e Fernando Brant?!

J.A.R. – H.C.

Patrick Kavanagh
(1904-1967)

Memory of My Father

Every old man I see
Reminds me of my father
When he had fallen in love with death
One time when sheaves were gathered.

That man I saw in Gardiner Street
Stumble on the kerb was one,
He stared at me half-eyed,
I might have been his son.

And I remember the musician
Faltering over his fiddle
In Bayswater, London,
He too set me the riddle.

Every old man I see
In October-coloured weather
Seems to say to me:
“I was once your father”.

Ancião com uma corrente de ouro
(Rembrandt: pintor holandês)

Lembrança de Meu Pai

Cada velho que vejo
Faz-me lembrar de meu pai
Quando se afeiçoou pela morte
Certa vez quando se recolhiam as gavelas.

Aquele homem que vi em Gardner Street
A tropeçar no meio-fio era um deles,
Olhou-me com olhos semicerrados;
Eu poderia ter sido seu filho.

E me recordo do músico
Vacilante sobre o seu violino
Em Bayswater, Londres;
Ele também me impôs o enigma.

Cada velho que vejo
No tempo colorido de outubro
Parece me dizer:
“Uma vez já fui seu pai”.

Canção da América
Álbum: Sentinela (1980)
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

Referência:

KAVANAGH, Patrick. Memory of my father. In: BENSON, Gerard; CHERNAIK, Judith; ‎HERBERT, Cicely (Eds.). Best ‎‎poems on the underground. 1st. publ. London, ‎EN: Weidenfeld & ‎Nicolson, ‎‎2009. p. 146.
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sábado, 3 de junho de 2017

Moacir de Almeida - Cavalgada das Valquírias ‎

Este belo poema do poeta em epígrafe – note-se, de vida curta, eis que faleceu aos 23 anos, de uma hipertrofia cardíaca – é todo voltado à representação de passagens imortalizadas na ópera “A Valquíria”, de Richard Wagner, uma das que compõem a tetralogia “O Anel de Nibelungo”.

Percebe-se a ênfase que Almeida atribui ao ressurgimento da lenda nórdica das amazonas no trabalho de recriação artística do compositor alemão, lenda que, a bem dizer, também se encerra nos grandes veios da cultura dos povos germânicos. 

Cavalgada das Valquírias
(Richard Wagner)

J.A.R. – H.C.

Moacir de Almeida
(1901-1924)

Cavalgada das Valquírias(1)

Ouve-se o resfolgar das Valquírias radiosas,
Soluçando através das músicas violentas;
E arrojam-se os corcéis nas nuvens procelosas,
Acordando os trovões e arrastando as tormentas.

As Valquírias! Há um luar de seios e de braços
Passando em turbilhões de lírios... Há um clamor
Nas montanhas... É o sol que atravessa os espaços,
Amortalhando o céu no manto abrasador.

E elas voam, soltando as louras cabeleiras
Nas músicas, prendendo as notas nos cabelos...
E os cascos dos corcéis abrem nas cordilheiras
Renos (2) de estrelas, entre as pedras e entre os gelos.

Da boca dos clarins, das cordas dos violinos,
Elas surgem, revoando e constelando o azul:
São tantas que, nos céus, os seus vultos divinos
Cobrem o espaço como os galhos da Ermensul.(3)

As Valquírias! Lá vão, entre dilúvios de astros,
Com os gládios a escorrer de raios fulminantes.
E as águias brancas, no ar, vão-lhe seguindo os rastros,
Abrindo à aurora roxa as asas coruscantes.

E os deuses do Valhala(4) elevam-se, clamando.
Tor(5) fulgura: – “Quem ousa acordar o trovão?”
– “Nós já morremos” – brame Odin(6) no azul nefando.
(E uivam, brancos de luz, os lobos da amplidão.)

“Quem vos ressuscitou, fantasmas de harmonia,
– carne de luz e som, no turbilhão superno?(7)
Que braço vos arrasta à vastidão sombria?
Que mão vos arrancou do crepúsculo eterno?”

E elas rugem, correndo em seus corcéis de bruma:
– “Viemos do coração de Wagner...” E os clarões
Dos seus corpos de som abrem os astros, numa
Via-Láctea infernal de gládios e visões...

Cavalgada das Valquírias
(William T. Maud: pintor britânico)

Elucidário:

(1) Na mitologia nórdica, as Valquírias eram amazonas montadas em corcéis que ‎tinham por missão transportar as almas dos guerreiros mortos nas batalhas ‎para o Palácio de Odin (Valhala);
(2) Flexão sobre a palavra Reno, o rio que corta vários países da Europa, entre eles a Alemanha;
(3) Símbolo religioso dos pagãos saxônicos da Westfália, representado por um carvalho ou por pilares de madeira;
(4) Palácio onde as almas dos guerreiros mortos em combate eram recebidas para servir ao deus Odin;
(5) Tor ou Thor, filho de Odin, é a divindade nórdica pagã que rege os trovões e as batalhas;
(6) Deus principal do clã dos deuses Asses (Æsir), o mais importante entre os da mitologia nórdica;
(7) Que tem poder absoluto, supremo.

Referência:

ALMEIDA, Moacir de. Cavalgada das Valquírias. In: __________. Gritos bárbaros. Rio de Janeiro: Benjamim Costallat & Miccolis Editores, 1925. p. 114-115.
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sábado, 25 de março de 2017

Florbela Espanca - Fumo

Já aqui postamos um belo poema de Ferreira Gullar, musicado pelo cantor Fagner, no álbum de 1981. Agora o repetimos com um finíssimo soneto da poetisa portuguesa Florbela Espanca, abaixo transcrito.

A arte de Florbela é quase toda um espasmo de erotismo, feminilidade e panteísmo, em meio a uma vida conturbada, tanto mais por sua rejeição aos costumes provinciais e à sensação de perda e abandono ao longo de sua curta vida.

J.A.R. – H.C.

Florbela Espanca
(1894-1930)

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

Em: Livro de “Sóror Saudade” (1923) 

“Fumo”: musicado e interpretado por Fagner
(Álbum de 1982)

Referência:

ESPANCA, Florbela. Fumo. In: __________. Poemas. Estudo introdutório, organização e notas de Maria Lúcia Dal Farra. 1. ed., 5. tiragem (2010). São Paulo, SP: Martins Fontes, 1996. p. 173.
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quarta-feira, 1 de março de 2017

Rio de Janeiro - Niver

Hoje é o dia oficial de aniversário da cidade do Rio de Janeiro, a “Cidade Maravilhosa”, ex-capital da república (assim, com “r” minúsculo), para a sua felicidade!, pois, desse modo, se viu livre de toda essa escória que fica a menos de 4 (quatro) km de onde resido (rs)...

E para homenageá-la, deixo abaixo o “link” para um vídeo com o álbum integral “Bênção, Bossa Nova”, de 1989, gravado pela paraense – como este que vos escreve – Leila Pinheiro. Afinal, há alguma coisa mais carioca do que a Bossa Nova?!...

O álbum é simplesmente espetacular, com uma seleta do que, certamente, há de melhor sobre o precitado movimento, com muitas composições, v.g., de Tom Jobim – um carioca que amou a cidade como ninguém!

J.A.R. – H.C.

(Vídeo sobre o Rio de Janeiro)

Ela é Carioca
(Tom Jobim: 1927-1994)

Ela é carioca
Ela é carioca

Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na cor dos seus olhos
As noites do Rio ao luar

Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar

Ela é meu amor, só me vê a mim
A mim que vivi para encontrar

Na luz do seu olhar
A paz que sonhei

Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais

Ela é carioca
Ela é carioca

(Música aos 8m 44s do vídeo abaixo)

(Leila Pinheiro - “Bênção, Bossa Nova” - 1989)
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ferreira Gullar - Traduzir-se

Na década de 80, o cantor e compositor Fagner musicou belos poemas de alguns nomes da literatura, como, v.g., Fernando Pessoa, Florbela Espanca e Ferreira Gullar – sendo da autoria deste último o poema que a seguir se transcreve.

O poema, em sua temática, revela a inconstância do ser, que migrando de um polo a outro, põe em questão a estrutura mesma da realidade. Pergunta-se então no poema: será arte a habilidade de traduzir, de uma à outra ponta, as manifestações duais que nos assolam? Ou de outra forma: converter em linguagem aquilo que nos desassossega?

J.A.R. – H.C.

Ferreira Gullar
(n. 1930)

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
Será arte?

Traduzir-se
Fagner (1981)

Referência:

GULLAR, Ferreira. Traduzir-se. In: __________. Os melhores poemas de Ferreira Gullar. 2. ed. São Paulo, SP: Global, 1985. p. 144-145. (‘Os Melhores Poemas’; v. 3)
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Manuel Alegre - É preciso saber por que se é triste

Tristeza a permear a mente de Manuel Alegre. Contradição?! (rs). Brincadeira à parte, o que o poeta de fato retrata é o sentimento que dá fluxo aos vaticínios com os quais se instrumentaliza o Fado, para ir bem fundo na alma lusitana...

E para acompanhar tamanha tristeza, nada melhor do que um fado bem popular – “Tudo isto é Fado” – na voz de uma intérprete lá de Belém do Pará, ela própria proveniente de uma família de portugueses: Fafá.

J.A.R. – H.C.

Manuel Alegre
(n. 1936)

Soneto

É preciso saber porque se é triste
é preciso dizer esta tristeza
que nós calamos tantas vezes mas existe
tão inútil em nós tão portuguesa.

É preciso dizê-la é preciso despi-la
é preciso matá-la perguntando
porquê esta tristeza como e quando
e porquê tão submissa tão tranquila.

Esta tristeza que nos prende em sua teia
esta tristeza aranha esta negra tristeza
Que não nos mata nem nos incendeia

Antes em nós semeia esta vileza
e envenena o nascer de qualquer ideia.
É preciso matar esta tristeza.

Em: “Praça da Canção” (1965)

Tudo isto é Fado
(Frederico Carvalho e Aníbal Nazaré)
Interpretação de Fafá de Belém

Referência:

ALEGRE, Manuel. Soneto. In: __________. Corazón polar y otros poemas: antología poética. Edición bilingüe. Prólogo de João de Melo. Traducción al español de María Tecla Portela Carreiro. Madrid, ES: Huerga y Fierro Editores, 2003. p. 72.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Johann Wolfgang von Goethe - Violeta

Eis aqui um poema de Goethe no qual uma pastora descuidada acaba por destruir uma bela violeta que em seu caminho estava, numa evidente metáfora de seu descaso pelo afeto manifestado pelo jovem poeta.

O poema foi musicado por Mozart, com pequenas alterações. Alterada do mesmo modo, como se vê, a tradução ao português, de autoria do escritor brasileiro Múcio Leão, que de um original em três estrofes, transformou o poema em seis estrofes de quatro versos.

J.A.R. – H.C.

Johann Wolfgang von Goethe
(1749-1832)
Retrato de Angelica Kauffmann

Das Veilchen

Ein Veilchen auf der Wiese stand
Gebückt in sich und unbekannt;
Es war ein herzigs Veilchen.
Da kam eine junge Schäferin
Mit leichtem Schritt und munterm Sinn
Daher, daher,
Die Wiese her, und sang.

Ach! denkt das Veilchen, wär ich nur
Die schönste Blume der Natur,
Ach, nur ein kleines Weilchen,
Bis mich das Liebchen abgepflückt
Und an dem Busen matt gedrückt,
Ach nur, ach nur
Ein Viertelstündchen lang!

Ach! aber ach! das Mädchen kam
Und nicht in acht das Veilchen nahm,
Ertrat das arme Veilchen.
Es sank und starb und freut’ sich noch:
Und sterb ich denn, so sterb ich doch
Durch sie, durch sie
Zu ihren Füßen doch.

Violeta
(Ysabel LeMay: artista canadense)

Violeta

Esquecida no prado, debruçada
Sobre si mesma, humilde e dolorosa
A violeta vivia e era ignorada
Da noite negra e da manhã radiosa.

Eis que na curva do caminho breve
Uma linda visão de mulher passa.
Vem, vai chegando, alegre, suave e leve
Uma pastora toda encanto e graça.

“Ai de mim!” – pensa a flor – “Ai se eu pudesse
Ser a mais bela flor da natureza
Para que a doce amada me colhesse
E no seio me trouxesse presa!

Ai se somente por um breve instante
Sobre o seu seio claro eu repousasse!
Se eu lhe beijasse a carne palpitante
E com o seu doce aroma a perfumasse!”

Mas ah! Veio a pastora indiferente
Nem atentou para a florzinha escrava!
Pisou a pobre... E a pobre alegremente
Ao ser calcada, trêmula, pensava:

“Ai que delícia, a de morrer agora,
A de morrer, cheia de amor infindo,
Pisada assim pela gentil pastora.
Pisada assim pelo seu pé tão lindo!”

Arleen Auger
(“Das Veilchen”: W. A. Mozart)

Referências:

Em Alemão

GOETHE, Johann Wolfgang von. Das veilchen. In: __________. 103 great poems / 103 meistergedichte. A dual-language book. Edited and translated by Stanley Appelbaum. Mineola, NY: Dove Publications Inc., 1999. p. 24.

Em Português

GOETHE, Johann Wolfgang von. A violeta. Tradução de Múcio Leão. In: JACKSON, W. M., INC. (Eds.). Tesouro da juventude: livro da poesia. São Paulo, SP: Gráfica Editora Brasileira Ltda., 1956. Vol. XI, p. 190.
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