Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS
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domingo, 19 de junho de 2016

Bhagavad Gîtâ (Outro Excerto)

Esta passagem do Gîtâ revela as circunstâncias em que a divindade, Krishna no caso, une-se no amor àquele que pratica a meditação e se dedica à sabedoria e ao aprimoramento espiritual.

Notam-se diretrizes voltadas ao controle das paixões, ao desapego e ao comedimento; à contenção das vaidades, do orgulho e do egoísmo. Algumas passagens, por isso mesmo, bem se aproximam de ideais perseguidos pela filosofia estoica. Mas estamos na Índia, não na Grécia... e só mesmo Alexandre Magno para cobrir toda essa distância (rs).

J.A.R. – H.C.

Krishna é o ápice da perfeição
(Jadurani Devi Dasi: artista norte-americana)

União pela Devoção
(Excerto)

(...)

13. Em verdade, te digo, que amo aquele
que não odeia a ninguém e a ninguém faz mal,
mas é amigo e amante de toda a Natureza, e aquele
que é bondoso, livre de vaidade, orgulho e egoísmo,
e conserva sempre a equanimidade, sendo paciente
na desventura.

14. Amo aquele que é sempre constante, afável
e piedoso, manso de coração e de firme vontade,
e sujos pensamentos em Mim se concentram.

15. Amo aquele que não tem cuidados mundanos,
não teme o mundo e não é tímido; quem
é livre de turbulência, da cólera, impaciência e
medo, e não se entrega à tristeza nem à alegria
excessiva.

16. Amo aquele que não tem preconceitos,
é justo e puro, imparcial, confidente, livre de toda
ânsia, e nunca se desespera.

17. Amo aquele que não se apaixona, nem
odeia, não se entristece nem cobiça, e desapega-se
das ações tanto boas como más (*).

18. Amo aquele que igualmente considera o
amigo e o inimigo, os honrados e os desprezados,
e com igual ânimo suporta o calor e o frio, o
prazer e a dor, a nada se apegando.

19. Amo aquele que não murmura contra o
destino, não se importa se o mundo o louva ou
censura, em todo lugar está contente e, firme em
seu propósito, em Espírito Me adora.

20. Porém, os mais amados Meus são aqueles
que praticam, qual indiquei, esta bendita e jamais
falível Yoga ou União, com fervor e amor
tal, que não vejam nenhum outro ideal superior.
__________

(*) Porque tanto uma como outras, feitas com apego,
incitam a alma, karmicamente, ao ciclo das
reencarnações compulsórias, isto é, não a libertam.
(Nota do Tradutor)

A ternura de Krishna
(Jadurani Devi Dasi: artista norte-americana)

Referência:

União pela devoção (excerto). In: BHAGAVAD-GÎTÂ: a mensagem do mestre. Tradução de Francisco Valdomiro Lorens. 22. ed. São Paulo, SP: Pensamento, 2000. p. 129-130.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Bhagavad Gîtâ (Excerto)

O Gîtâ (“Canção de Deus”, em sânscrito) principia antes do clímax da Guerra Kurukshetra, na qual o príncipe Pandava Arjuna se vê assolado por dúvidas no campo de batalha. Percebendo que seus inimigos são os seus próprios parentes, amigos queridos e reverenciados, ele se vira para o seu cocheiro e guia, Krishna, rogando-lhe conselhos. Em resposta à desorientação e ao dilema moral de Arjuna, Krishna o instrui sobre os seus deveres como guerreiro e príncipe, proferindo uma variedade de conceitos filosóficos, vale dizer, atinentes à ciência da autorrealização e da consubstanciação da unidade no divino.

O excerto abaixo traduz o momento exato em que Krishna, a representação da divindade, estimulado pela curiosidade de Arjuna, enuncia-lhe os seus poderes e formas de manifestação neste plano da realidade.

J.A.R. – H.C.

Krishna Instrui Arjuna
(Jadurani Devi Dasi: artista norte-americana)

A Excelência Divina
(Excerto)

(...)

32. De toda a criação, Eu sou o princípio,
o meio e o fim. Das ciências, sou a ciência do
Espírito e o verbo dos oradores.

33. Das letras, sou o A; nas palavras a conjunção.
Eu sou o tempo perdurável e Aquele cuja
face se volta para todas as partes.

34. Eu sou tanto a Morte, que não poupa
a ninguém, como o Renascimento, que dissolve
a Morte. Eu sou a Glória, a Fortuna, a Eloquência,
a Memória, o Juízo, a Força, a Fidelidade,
a Paciência.

35. Entre os cantos, sou o Hino Sublime;
entre os versos, sou o Verso Místico. Entre as
estações, sou a primavera; entre os meses, sou
o mês mais frutífero.

36. Eu sou a sorte entre os jogadores, e o
Esplendor de tudo o que brilha. Eu sou a Valentia
e a Vitória; Eu sou a Bondade dos bons.

37. Eu sou o chefe de grandes tribos e famílias;
Eu sou o Sábio dos sábios, o Poeta dos
poetas, o Bardo dos bardos, o vidente dos videntes,
o Profeta.

38. Para os governadores, sou o Cetro do
poder; entre os estadistas e conquistadores, sou
a Diplomacia e a Política. Sou o Silêncio dos
segredos, e o Saber dos eruditos.

39. Em suma, ó príncipe! Eu sou Aquilo
que é o princípio essencial na semente de todos
os seres e de todas as coisas na Natureza; cada
ser, animado ou inanimado, é por Mim penetrado,
e, sem Mim, nada pode existir nem por um instante.

40. Sem fim são as minhas manifestações
divinas, ó Arjuna! Só exemplos delas te apresentei.
Os meus poderes são infinitos em qualidade
e variedade.

41. Todo ser e toda coisa são o produto
de uma infinitésima porção do meu Poder e
da minha Glória.

42. Mas para que mais minúcias, ó príncipe?
Sabes que Eu sustento todo este universo continuamente,
só com um infinitesimal fragmento de Mim mesmo.

Parthasarathi
(Sriman Pariksit Dasa: artista norte-americano)

Referência:

A excelência divina (excerto). In: BHAGAVAD-GÎTÂ: a mensagem do mestre. Tradução de Francisco Valdomiro Lorens. 22. ed. São Paulo, SP: Pensamento, 2000. p. 115-116.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Bloom, Blake & Outros

Em complemento à postagem precedente, trago aos leitores algumas considerações ainda atinentes ao grande poeta visionário William Blake, assim como a outros autores, desta feita em metacomentário aos assentamentos de Harold Bloom, em seu livro “Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura”. 

ESTRUTURA DA OBRA
Antes de qualquer coisa, apreciaria desenvolver um rápido escólio sobre a forma como o crítico norte-americano estruturou o mencionado livro: sendo ele de origem judaica, empregou o arcabouço da Cabala, para distribuir os 100 autores pelos 10 Sefirot (plural de Sefirah), sendo que, para cada Sefirah, alocam-se dois grupos (ou lustros) de cinco escritores ou pensadores.
Segundo Bloom (2003, p. 13-14), os dez Sefirot da Cabala são emanações que se encontram no cerne de Deus ou do Homem Divino, ou por outra, são atributos do gênio de Deus:
Os Sefirot são metáforas tão abrangentes que se tornam, em si, poemas, ou mesmo poetas. [...] É possível entender os Sefirot como luzes, textos ou estágios da criação. Neste livro, os 100 gênios estão classificados em meus breves ensaios segundo os Sefirot que me parecem, respectivamente, mais pertinentes, mas duas almas jamais concordarão sobre o que lhes será mais pertinente (BLOOM, 2003, p. 14).
Ainda no preâmbulo da obra, constam alguns considerandos sobre o Sefirah denominado Yesod, onde foram aglutinados autores tão diferentes quanto o mencionado Blake e, por exemplo, o italiano Ítalo Calvino:
Em Yesod, o nono Sefirah [o singular de Sefirot], às vezes traduzido por “origem”, constata-se uma postura que remete ao antigo significado latino da palavra “gênio”, força geradora. Sob a égide de Yesod inclui, primeiramente, uma série de mestres da narrativa erótica: Flaubert, o português Eça de Queirós, o afro-brasileiro Machado de Assis, o argentino Borges e o fabulista moderno italiano, Ítalo Calvino. Aqui, uma segunda série é constituída por cinco vitalistas heroicos: o profeta-poeta William Blake, o romancista profético D. H. Lawrence, o grande dramaturgo norte-americano Tennessee Williams, fortemente influenciado por Lawrence e Hart Crane, e dois poetas modernos originais, o austro-germânico Rilke e o italiano Montale (BLOOM, 2003, p. 16).
Já muito mais à frente, exatamente no exórdio do Lustro 17 do mesmo Yesod, Bloom volta a explicar-se:
Yesod, traduzido livremente como “fundação”, encerra dois significados afins: o impulso sexual masculino e o mistério do equilíbrio entre o feminino e o masculino, nos processos naturais. No primeiro lustro de Yesod, agrupei cinco mestres da ficção que, a exemplo de outros anteriormente arrolados, podem ser considerados ironistas trágicos, iniciando em Flaubert, o artista dos artistas, especialmente em Madame Bovary (BLOOM, 2003, p. 667).
E, por fim, no Lustro 18, idem do Sefirah em foco, acrescenta:
Yesod é a base da vida apaixonada e, neste segundo Lustro, reuni cinco visionários, ao mesmo tempo diferentes entre si e aliados, em termos de intensidade e força transformadora (BLOOM, 2003, p. 707).
 
PONDERAÇÕES
Começo por observar que Bloom, como que a reconhecer o caráter altamente subjetivo de seus agrupamentos e respectivas disposições nos Sefirot da Cabala, antecipa-se às críticas, formulando a ideia de que o julgamento de pertinência dificilmente logra obter consenso.
E é isso mesmo, se assim lhe parece! Será que a obra de Machado de Assis, por exemplo, tem um componente erótico acentuado para merecer essa qualificação pelo crítico americano? Será que uma história especulativa de traição, tal como “Dom Casmurro”, poderia ser qualificada como tal? Não há muito mais do que isso em Machado que se associe ao lascivo! Caso afirmativo, por que será que o crítico não juntou ao grupo o grande Liev Tolstói, o maior dos autores sobre o tema, com o seu “Anna Karenina”? Por que deixar Flaubert e Machado órfãos de companhia na descontrução – ou seria destruição? – da imagem feminina? (rs).
Na melhor das hipóteses, como em Eça de Queirós, pode-se falar em um estado latente de sensualidade na obra em prosa de Machado, mas nunca explícito, como seria o caso, v.g., em Philip Roth!
E se já fui tão longe nesta trilha digressiva, julgo que “erótico” seja exatamente isso: uma explicitude nas descrições que evidenciem os intentos, tal como ocorre em “Complexo de Portnoy” ou “Teatro de Sabbath”, mas sem descambar para a pornografia barata.
Se o mote do livro de Bloom não fosse a criatividade, poderia sugerir até mesmo os escritos do Marquês de Sade, porque para ser irrefutavelmente criativo no sexo, só se esmerando nas inúmeras posições do “Kama Sutra”: que maravilha aqueles templos todos lá na milenária Índia, fazendo a apologia do sexo explícito e maravilhando a muitos, inclusive ao Nobel Octavio Paz, que lá esteve em missão diplomática! (rs)...
Retomando o argumento: talvez o atributo mais acertado para escritores como Machado e Eça seja o de “ironistas”, o primeiro quando decompõe com fino trato o comportamento humano mais descalibrado, e o segundo ao incutir um viés antirreligioso em muitas de suas obras. Em ambos, como em Flaubert, percebe-se, ademais, o perfil mais terra-a-terra de seus temas.
Mas o que fazem no mesmo Sefirot as obras de Borges e de Calvino? De fato, são trabalhos mais imaginativos, no ramo do fantástico, não na mesma linha visionária de Blake, autor que, Bloom reconhece, mais se parece com Dante ou Milton.
Em suma: há uma heterogenia nos agrupados de Yesod, que se materializa na escolha de autores que ou bem estão nas imediações da experiência humana mais profana, ou bem, sem os pés no chão, compaginam-se em enciclopédias de experiências quiméricas.
Blake é um destes últimos: sua capacidade de criar “metáforas conceituais” configura, para Bloom, a essência de sua poesia (BLOOM, 2003, p. 716). “A essência do gênio de Blake é a exuberância, a autonomia, a coragem de repensar e rever tudo através de uma perspectiva pessoal” (BLOOM, 2003, p. 716), arremata.
E uma vez que se empregou o vocábulo “exuberância”, resgato um dos “Provérbios do Inferno”, da pena de Blake em pessoa: “Exuberância é beleza” (BLAKE, 2011, p. 25). E isso representa muito do que a sua poesia efetivamente é, sob quaisquer prismas em que se a avalie.
E devo confessar que, embora tenha lido poucas obras de Blake, todas me impressionaram pelo mesmo efeito: o poder das imagens formuladas, nas quais de todo modo, ratifico, capturar as propriedades do “élan vital” somente teria sentido se a experiência expressasse alguma similaridade, por exemplo, ao êxtase de Tereza D’Ávila: intérpretes há que nele veem certa dimensão erótica!
Leia com atenção o trecho abaixo, já transcrito no “post” anterior:
Pois foi ordenado ao Querubim com a espada de fogo que abandonasse a guarda da Árvore da Vida e, quando isso ocorrer, toda criação será consumida e vislumbrar-se-á infinita e purificada, pois agora apresenta-se finita e corrompida.
E isto ocorrerá mediante a sofisticação do prazer sensual (BLAKE, 2011, p. 30).
O trecho em negrito, digam-me, não tem forte correlação com a experiência mística de Tereza?
Mas vá lá: contemporizemos com Bloom. Há suficiente amplitude naquilo que se pode considerar como erótico, desde a paixão oculta ou platônica até a mais explícita relação sexual a céu aberto. E muito do que configura os fatos é objeto das mais diversificadas formas de interpretação. Interpretação e superinterpretação, diria Umberto Eco.
Mas será mesmo que todas as interpretações são possíveis? Ou como entende Eco, há limites à interpretação?!
Com você, leitor, o veredito! Leia o livro de Bloom e conclua por si mesmo: Bloom tem ampla cultura literária e você, certamente, usufruirá de um texto belamente escrito. Trata-se de um lídimo esteta da palavra, a alçar, como se disse alhures, a metaliteratura ou a crítica literária ao mesmo nível da própria literatura!
J.A.R. – H.C.
Referências:
BLOOM, Harold. Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura. Tradução de José Roberto O’Shea. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.
BLAKE, William. Uma visão memorável. In: O casamento do céu e do inferno & Outros escritos. Tradução de Alberto Marsicano. Porto Alegre: L&PM, 2011.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014

William Blake – O Infinito e o Divino


Em interpretação livre de uma das visões memoráveis – exatamente a segunda –, a compor o famoso opúsculo “O Casamento do Céu e Inferno”, do poeta britânico William Blake (1757-1827), o não menos notável mitólogo norte-americano Joseph Campbell, do alto de sua erudição sobre o tema das crenças que habitam o imaginário humano, assim a sintetiza:

“Remove os querubins do portal e verás que tudo é infinito. Limparás o desejo e o medo de teus olhos e contemplarás tudo como uma revelação do Divino” [1].

No original:

“Remove the cherubim from the gate, and you will see that everything is infinite. You will clean desire and fear from your eyes and will behold everything as a revelation of the Divine”. [2]


A visão completa de Blake, como se nota a seguir, rompe de fato a ancoragem do real, por intermédio de um diálogo imaginário, travado pelo próprio Bakle com os profetas bíblicos Isaías e Ezequiel:

Uma Visão Memorável [3]

Os profetas Isaías e Ezequiel jantavam comigo. Perguntei-lhes como se atreviam a afirmar que Deus falava com eles; e se não achavam que isto os tornava incompreendidos e passíveis de perseguição.

Isaías respondeu: “Jamais pude ver ou ouvir Deus dentro de uma percepção orgânica e finita; meus sentidos descobriram o infinito em cada coisa, e como desde então estivesse convicto e recebesse o sinal que a voz da indignação sincera é a voz de Deus, alheio às consequências escrevi”.

Então perguntei: – “A firme convicção de que uma coisa é, assim pode torná-la?”.
Ele respondeu: – “Todos os poetas têm a certeza disto e em épocas de imaginação esta fé inquebrantável moveu montanhas. No entanto, poucos conseguem ter essa firme convicção de qualquer coisa”.

Ezequiel retrucou: “A filosofia do Oriente ensinou os princípios básicos da percepção humana. Algumas nações adotaram um princípio para a origem. Outras criaram versões distintas para explicá-la. Nós, de Israel, ensinamos que o Gênio Poético (como agora o denominam) foi o princípio básico e os demais não passam de meras derivações. Esta é a razão de nosso desprezo pelos Filósofos e Sacerdotes de outros países. Profetizamos, e disto não resta dúvida, que todos os Deuses são originários do nosso e tributários do Gênio Poético. Foi precisamente isto que nosso grande poeta, o Rei Davi, desejava mais fervorosamente e evocou de forma tão enternecedora, exprimindo que é assim que triunfa-se sobre os inimigos e governa-se os reinos. Tanto amamos nosso Deus que em seu nome desdenhamos todas as deidades das nações vizinhas, afirmando que elas haviam se rebelado: Daí advém que o vulgo acabasse por acreditar que todas as nações seriam submetidas pelos judeus”.

“Isto” disse ele, “como todas as firmes convicções, está prestes a se realizar já que todas as nações acreditam no código judaico e veneram o Deus dos judeus. Que maior sujeição poderia haver?”.

Ouvi assombrado e não pude deixar de confessar minha própria convicção. Terminado o jantar, pedi a Isaías que regalasse o mundo revelando suas obras perdidas. Ele respondeu que nenhuma obra de valor se perdera. Das suas obras, Ezequiel afirmou o mesmo.

Também perguntei a Isaías o que levara-lhe a vagar desnudo por três anos. Ele respondeu: – “O mesmo que impeliu nosso amigo Diógenes, o Grego”.

Perguntei então a Ezequiel por que deglutira esterco e permanecera por tanto tempo deitado de lado direito e esquerdo. Ele respondeu: – “Para elevar os homens à percepção do infinito. As tribos norte-americanas também utilizam esta prática e poder-se-ia dizer honesto aquele que, resistindo a seu gênio ou consciência, os troca pelo bem-estar e a satisfação Imediata?”.

A antiga crença de que o mundo será consumido pelo fogo ao cabo de seis mil anos é real, como revelaram-me nas profundezas do Inferno.

Pois foi ordenado ao Querubim com a espada de fogo que abandonasse a guarda da Árvore da Vida e, quando isso ocorrer, toda criação será consumida e vislumbrar-se-á infinita e purificada, pois agora apresenta-se finita e corrompida.

E isto ocorrerá mediante a sofisticação do prazer sensual.

Mas antes de tudo, a noção de que o homem tem um corpo distinto de sua alma será abolida. Isto conseguirei através do método infernal, cujos ácidos corrosivos, que no Inferno são saudáveis e terapêuticos, ao dissolver as superfícies visíveis, revelam o Infinito antes oculto.

Se as portas da percepção se desvelassem, cada coisa apareceria ao homem como é, infinita.

Pois o homem se enclausurou a tal ponto que apenas consegue enxergar através das estreitas frestas de sua gruta.

Contudo, a visão de Blake não levou a outras associações de cunho profético-religioso de mesma envergadura, mas, sobretudo, a dois inesperados encaminhamentos, quase que inter-relacionados: primeiramente, à menção de seu penúltimo parágrafo como epígrafe ao livro “As Portas da Percepção”, de Aldous Huxley, e depois, pela via indireta, à adoção do designativo “The Doors”, por uma banda californiana de rock, em referência à mesma passagem.

Como a psicodelia era a “moda” na virada dos anos 60/70, obviamente que a experiência não poderia passar sem provas que envolvessem drogas psicotrópicas: nomeadamente, a mescalina, na obra de Huxley, e o uso de um mix de álcool e heroína pela banda, ou melhor, por seu líder, Jim Morrison, que, em última instância, acabou por levá-lo prematuramente ao fim. Ou seria mesmo ao infinito? (rs).

Mas a obra de Blake não é a única que mereceu a detida atenção de Joseph Campbell: seu interesse é difuso, o que o leva a deambular por muitos domínios, um dos quais a alta literatura, sempre em busca de apreender as propriedades que os mitos incorporam e os modos pelos quais os artistas as externalizam em suas criações.


Com efeito, “Mitologia Criativa”, o último volume de sua tetralogia “As Máscaras de Deus”, contém, entre outras, análises minuciosas e precisas sobre as obras de James Joyce e Thomas Mann. É a leitura do momento. Em breve, espero postar aqui uma resenha sobre o referido volume.

Abraços.

J.A.R.-H.C.

Referências:

[1]. CAMPBELL, Joseph. Isto és tu: redimensionando a metáfora religiosa. Tradução Edson Bini. São Paulo: Landy, 2002. p. 114.

[2]. CAMPBELL, Joseph. Thou art that. Disponível em: . Acesso em: 20 fev. 2014. p. 80.

[3]. BLAKE, William. Uma visão memorável. In: O casamento do céu e do inferno & Outros escritos. Tradução de Alberto Marsicano. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 28-30.

domingo, 15 de setembro de 2013

É assim, se assim lhes parece: como sou?!


Nasci no dia 27 de julho. Estive vasculhando, há pouco, o que diz o horóscopo ocidental sobre as particularidades do que representa o nascimento nesse dia. Observei que há elementos até contraditórios nos descritivos das diversas fontes pesquisadas. Aliás, o antinatural seria que eles não ocorressem. Afinal, a astrologia está longe de ser uma ciência!

Contudo, a descrição que os autores GOLDSCHNEIDER & ELFFERS fazem dos nascidos em 27 de julho pareceu-me bastante aderente ao que ocorre comigo. Há nela, não obstante, algo que não se coaduna com o meu jeito de ser: não aprecio tomar decisões pelos outros, mesmo porque sou, à minha maneira, algo comodista. Todavia, se a questão diz respeito a muitos, a mim inclusive, certamente vou agir de algum modo, de preferência independentemente, isso se o grupo não buscar uma solução de forma conjunta.

Bem: vamos aos comentários obtidos. Neles, marquei em itálico aquilo com que me identifiquei. Os que me conhecem poderão dizer, melhor do que eu, como lhes pareço...

Um abraço.

J.A.R. – H.C.



GOLDSCHNEIDER, Gary; ELFFERS, Joost. A linguagem secreta dos aniversários: perfis de personalidade conforme o dia de nascimento. Tradução de Marly Winckler. 4. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. p. 336-337.

Dia de Quem Toma Decisões

ciplina, ou reprimem impulsos agressivos, que, então, emergem periodicamente em uma profusão de formas sublimadas ou explosivas. Curiosamente, por trás da autoconfiança exterior de muitos dos nascidos neste dia, existe uma timidez secreta, e, com ela, uma relutância em deixar sair temores profundamente enraizados.
Portanto, a decisão mais importante que os nascidos no dia 27 de julho jamais tomarão não será para outra pessoa, mas para eles mesmos: a de simplesmente tomar uma decisão realista sobre sua carreira, que garanta tanto a felicidade quanto o sucesso e/ou serem honestos quanto ao tipo de pessoa que desejam conhecer ou envolver-se. Até reconhecerem sua verdadeira paixão na vida, tanto pública como particular, e fazerem as escolhas difíceis e necessárias no sentido de devotarem sua considerável energia a elas, podem estar condenados a manterem estoicamente uma ocupação segura ou situação de vida – adiando, racionalizando e tentando fazê-la dar certo — enquanto secretamente sonham em abandoná-la. Será necessária uma força imensa para reunirem coragem para seguir seu coração e serem honestos consigo mesmos, mas, se conseguirem, a recompensa será igualmente enorme.

Números e Planetas

Os nascidos no vigésimo sétimo dia do mês são regidos pelo número 9 (2 + 7 = 9) e pelo planeta Marte. O número 9 exerce poderosa influência sobre outros números (todo número somado a nove resulta no mesmo número, por exemplo, 5 + 9 = 14, 4 + 1 = 5 e qualquer número multiplicado por nove resulta em nove: 9 x 5 = 45, 4 + 5 = 9) e as pessoas nascidas no dia 9 de julho são igualmente capazes de influenciar os que estão à sua volta. O planeta Marte é forte e agressivo, corporificando a energia masculina (realçada pelo Sol, regente de Leão); assim, as mulheres de 27 de julho podem parecer extremamente ditatoriais para os que têm ideias tradicionais de feminilidade.

Tarô

A nona carta dos Arcanos Maiores é O Eremita, que caminha portando uma lanterna e um cajado; representa a meditação, o isolamento e o silêncio. A carta significa sabedoria e extrema disciplina. O Eremita é o feitor que usa a consciência para manter cada um em seu caminho. O lado positivo desta carta é a perseverança, o propósito, a profundidade e a concentração; os significados negativos incluem o dogmatismo, a intolerância, a desconfiança e o desânimo. As pessoas nascidas no dia 27 de julho devem aprender com o Eremita o valor do recolhimento do mundo e do exame periódico de seus valores.

Saúde

Por trabalharem frequentemente com organizações, as pessoas nascidas no dia 27 de julho podem ter uma vida razoavelmente estruturada e, assim, é possível desfrutarem de refeições, exercício e sono regulares. Recomendam-se exercícios dinâmicos para essas pessoas extremamente vigorosas, podendo variar desde caminhadas e alpinismo até atividades orientadas para um objetivo e esportes coletivos competitivos. Refeições balanceadas normalmente ajudam a manter a boa saúde em geral. Os nascidos neste dia podem ter crises psicológicas periódicas, difíceis de serem controladas por eles próprios, sobretudo se nunca haviam lidado com problemas emocionais. Recomenda-se procurar um terapeuta, conselheiro ou amigo íntimo que possa ser, simultaneamente, interessado e objetivo.

Conselho

Enfrente suas necessidades e desejos reais. Não se atormente com decisões pessoais por muito tempo. Procure ser honesto consigo mesmo; cuidado para não reprimir seus verdadeiros sentimentos. Apenas o controle mental pode ajudá-lo. Aprenda a relaxar.

Pontos Fortes

Ordeiro, forte e decisivo.

Pontos Fracos

Resistente a mudanças, inconsciente de si e procrastinador.

Meditação

Existo apenas para o mundo – não pertenço a ninguém, muito menos a mim mesmo.



Você tem força, determinação e altos ideais, de modo que é um líder natural.

Disto você deverá se lembrar por toda sua vida e esforçar-se por liderar, ou trabalhar por conta própria. A posição de subalterno ou sociedade meio a meio não se adéqua a você. Na amizade e no casamento você tem muito a dar em termos de companheirismo e afeição.

Seu “sexto sentido” é forte, e sua data de nascimento tende a atraí-lo para a metafísica e a filosofia.

Seu principal problema é que quando as coisas começam a sair erradas, você poderá se permitir ataques de introversão e cega aversão; controle tais tendências e seus relacionamentos irão bem. A atividade literária ou artística seria a melhor para você.

Influência: Quem nasce sob esta influência amará ser colocado em uma posição de liderança, se distinguirá por sua bravura e grande amor por todas as coisas, suportando a fadiga com paciência e coragem. Trabalha para melhorar a sociedade e tende a abolir os privilégios e recursos de pessoas que não merecem. Terá sorte nas viagens ao exterior e proteção contra traição ou vingança. Será um combatente contra as forças do mal, através da sua cultura e intelectualidade. Projeta sempre experiências para a formação de um novo mundo, lutando contra as esferas e consciências inferiores. Terá grandes revelações nos sonhos. Defenderá todas as boas causas e será chamado sempre para edificar planos teóricos, sendo considerado por todos um ótimo administrador ou economista, principalmente em tempos de crise. Alegre, ativo e simpático, é sempre o centro das atenções em todas as situações. É uma pessoa de garra e muita força de vontade. Apaixonado por tudo e por todos, ama a vida familiar e dedica-se especialmente aos filhos.

Profissionalmente: Será convidado para a liderança de partidos políticos e de entidades sindicais ou empresariais. Participará e será atração em desfiles ou fanfarras escolares. Contribuirá para desfiles carnavalescos, fazendo a alegria da população. Detalhista, será um bom chargista, contador de anedotas ou histórias infantis. Especialista em conseguir colocação para pessoas que necessitam trabalhar.


Nascidos no Dia de Hoje

Os nascidos nesse dia sabem como economizar energia ao longo do percurso. Eles fazem as coisas acontecer. São dinâmicos e produtivos. Bastante energéticos no trabalho, revelam uma personalidade sensível e atenciosa nas relações pessoais. Muitas vezes preferem trabalhar e ficar sozinhos, embora necessitem de ligação com um indivíduo poderoso. Na carreira, preferem a qualidade ao dinheiro. Devem evitar impor seus sistemas de valores aos outros e não serem tão autoritários.

Pontos Fortes: Constante / Meticuloso / Habilidoso.

Pontos Fracos: Crítico / Rígido / Autoritário.



Descrição Geral

Nascidos em 27 de julho encarnam uma dualidade que não é estritamente evidente, exceto para aqueles que os conhecem bem. Eles parecem estar completamente em paz com suas emoções, no entanto, possuem um núcleo espiritual de aço.  Muitas vezes escondem aspectos de sua personalidade, não porque estejam em desacordo com eles, mas a fim de manter um senso de controle sobre o seu mundo.

Amigos e Amantes

São pessoas apresentáveis ​​com boas habilidades sociais, mas às vezes parecem quase indiferentes, como se não estivessem dispostos a empreender um diálogo de amizade. Mesmo os amantes são mantidos a uma distância emocional, quando essas pessoas não se sentem seguras. São determinados a serem amados por quem eles efetivamente são e não por outros motivos. Têm uma grande paixão pela vida doméstica e nela se ajustam com facilidade.

Crianças e Família

Força de vontade e capacidade para enfrentar os desafios da vida de frente podem ser valores atribuídos aos nascidos em 27 de julho quando crianças. Eles são tradicionais na sua visão de vida e são pais dedicados que incutem integridade em seus jovens, conjugada a um sentimento de admiração pelas inúmeras oportunidades da vida.

Saúde

Embora possam não ser fanáticos acerca de sua saúde, chegam perto de sê-lo. Podem empregar holística tão bem quanto métodos mais convencionais para se manterem saudáveis, além de serem muito cuidadosos com sua dieta.

Carreira e Finanças

Qualquer que seja a carreira que vierem a escolher, atiram-se a ela com entusiasmo. Como são extremamente organizados, os detalhes relacionados ao seu trabalho serão tratados exaustivamente e com habilidade. Com muito ou pouco recursos, são igualmente sensíveis na maneira de lidar com dinheiro.

Sonhos e Metas

Os nascidos em 27 de julho querem ser o melhor. Isto é verdade não importam quais sejam os objetivos de sua carreira. Depois de terem alcançado um objetivo, movem-se imediatamente para o próximo. Essas pessoas não vivem no passado, mas sim buscam amadurecer, de forma a tornar cada desafio um pouco mais envolvente.