Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sexta-feira, 27 de março de 2015

Vicente Huidobro - Arte Poética

Mais um poema do chileno Vicente Huidobro em nosso blog. Mais um poema sobre a arte de fazer poemas – “Arte Poética” –, extraído de sua obra “El espejo de Agua” (“O Espelho de Água”), de 1916.

A força do poeta reside em sua cabeça, diz-nos Huidobro. Em seu poder de imaginação e de criação. Ainda que, em termos de poesia, pouca coisa, hoje em dia, advenha num formato ‘ab ovo’, ou melhor, com a potência de algo original.

Nos interstícios de seus versos surge o arquétipo ordenatório: para que não se abuse dos adjetivos, os quais podem simplesmente tornar o poema intragável. Cumprido o mandamento, o poeta emerge então como um pequeno Deus.

J.A.R. – H.C.

Vicente Huidobro
(1893-1948)

Arte Poética

Que el verso sea como una llave
que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando;
cuanto miren los ojos creado sea,
y el alma del oyente quede temblando.

Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra;
el adjetivo, cuando no da vida, mata.

Estamos en el ciclo de los nervios.
El músculo cuelga,
como recuerdo, en los museos;
mas no por eso tenemos menos fuerza:
el vigor verdadero
reside en la cabeza.

Por qué cantáis la rosa, ¡oh Poetas!
hacedla florecer en el poema;

Sólo para nosotros
viven todas las cosas bajo el sol.

El Poeta es un pequeño Dios. 


Arte poética

Que o verso seja como uma chave
que abra mil portas.
Uma folha cai; algo passa voando;
criado seja tudo quanto os olhos vejam,
e a alma do audiente fique tremendo.

Inventa mundos novos e cuida de tua palavra;
o adjetivo, quando não dá vida, mata.

Estamos no ciclo dos nervos.
Pendura o músculo,
como lembrança, nos museus;
mas nem por isso temos menos força:
o verdadeiro vigor
reside na cabeça.

Por que cantais a rosa, oh poetas!
Fazei-a florescer no poema.

Só para nós
vivem todas as coisas sob o sol.

O poeta é um pequeno Deus.

Referência:

HUIDOBRO, Vicente. Arte poética. In: JIMENÉZ, José Olivio (Selección, prólogo y notas). Antología de la poesía hispanoamericana contemporánea: 1914-1970. 7. ed. Madrid, ES: Alianza Editorial, 1984. p. 129-130. (El Libro del Bolsillo)

quinta-feira, 26 de março de 2015

François Villon - Balada das Coisas sem Importância

Conhecer-se a si próprio é uma arte. Há muitos séculos já preconizava o oráculo de Delfos (650 a.c. - 550 a.c.): “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”.

Aí está o mistério da autorreferência, da mirada em primeiro grau, que tantos vieses faz gerar, tornando-nos quase incapazes de reconhecer nossas imperfeições. É o caso do poeta francês François Villon: diz tudo conhecer do mundo, menos a si mesmo!

Por vezes, apenas um amigo é capaz de nos dar conta da realidade que criamos e manifestamos. E louvável é a condição do homem que, por si próprio reconhece as suas fraquezas: estará em melhores condições para corrigi-las.

J.A.R. – H.C.

François Villon
(1431-1463)

Ballade des Menus Propos

Je congnois bien mouches en laict;
Je congnois a la robe l’homme;
Je congnois le beau temps du laid;
Je congnois au pommier la pomme;
Je congnois l’arbre a veoir la gomme;
Je congnois quand tout est de mesme;
Je congnois qui besongne ou chomme;
Je congnois tout, fors que moy-mesme.

Je congnois pourpoinct au collet;
Je congnois le moyne a la gonne;
Je congnois le maistre au valet;
Je congnois au voyle la nonne;
Je congnois quand piqueur jargonne;
Je congnois folz nourriz de cresme;
Je congnois le vin a la tonne;
Je congnois tout, fors que moy-mesme.

Je congnois cheval du mulet;
Je congnois leur charge et leur somme;
Je congnois Bietrix et Bellet;
Je congnois gect qui nombre et somme;
Je congnois vision en somme;
Je congnois la faulte des Boesmes;
Je congnois filz, varlet et homme:
Je congnois tout, fors que moy-mesme.

Envoi

Prince, je congnois tout en somme;
Je congnois coulorez et blesmes;
Je congnois mort qui nous consomme;
Je congnois tout, fors que moy-mesme.

O Eu Dividido
(Autoria Desconhecida)

Balada das Coisas sem Importância

Conheço se há moscas no leite,
Conheço pela roupa o homem,
Conheço o tédio e o deleite,
Conheço a fartura e a fome,
Conheço a mulher pelo enfeite,
Conheço o princípio e o fim,
Conheço pela chama o azeite,
Conheço tudo, menos a mim.

Conheço o gibão pela gola,
Conheço o rico pelo anel,
Conheço o fiel pela sacola,
Conheço a monja pelo véu,
Conheço o porco pela tripa,
Conheço o irmão pelo latim,
Conheço o vinho pela pipa,
Conheço tudo, menos a mim.

Conheço a mula e o cavalo,
Conheço o carro e a carreta,
Conheço a galinha e o galo,
Conheço o sino e a sineta,
Conheço a flor pelo talo,
Conheço Abel e Caim,
Conheço o pote e o gargalo,
Conheço tudo, menos a mim.

Ofertório

Príncipe, conheço tudo em suma,
Conheço o branco e o carmim,
E a morte que o fim consuma.
Conheço tudo, menos a mim.

Referências:

Em Francês

VILLON, François. Ballade des menus propos. In: __________. Oeuvres completes. Suivies d’un choix des poesies de ses disciples. Edition preparee par la Monnoye. Mise a jour, avec notes et glossaire par M. Pierre Jannet. 3e. éd. Paris, FR: Impression à la demande, 1873. p. 117.

Em Português

VILLON, François. Balada das coisas sem importância. Tradução de Ferreira Gullar. In: GULLAR, Ferreira (Organização e Traduções). O prazer do poema: uma antologia pessoal. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2014. p. 308-309.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Herberto Hélder - Poemacto (IV)

Fazemos aqui uma homenagem ao grande poeta português Herberto Hélder, falecido anteontem, 23.3.2015. Nascido em Funchal, Ilha da Madeira, em 1930, viveu por 84 anos para deixar-nos uma obra marcante, com tendência a manter-se no futuro, em especial, pensamos nós, pelo poder visionário de seus poemas.

A quarta volta do “Poemacto”, abaixo transcrita, ilustra à perfeição o que afirmamos: há a necessidade de se recriar o que o Eterno criou, dar de comer as estrelas às vacas, revolver a ordem, “ser truculento” com a arquitetura das coisas postas, passando-as de assim a assado. Tudo para ativar a inteligência, incomodá-la, removê-la de sua zona de conforto.

Fica a dor da perda de um poeta maior. É como se o ‘corpus’ da própria poesia experimentasse um descaminho. Vá poeta pelas planuras sem fim: faça de sua alma um estilo “precisamente original” de inteligência celeste.

J.A.R. – H.C.

Herberto Helder
(23.11.1930-23.3.2015)

Poemacto (IV)

As vacas dormem, as estrelas são truculentas,
a inteligência é cruel.
Eu abro para o lado dos campos.
Vejo como estou minado por esse
puro movimento de inteligência. Porque olho,
rodo nos gonzos como para a felicidade.
Mais levantadas são as arbitrarias ervas
do que as estrelas.
Tudo dorme nas vacas.
Oh violenta inteligência onde as coisas
levitam preciosamente.
O campo bate contra mim, no ar onde elas
dormem –
vacas truculentas, estrelas
apaziguadas estrelas – e a inteligência, afinal
selvajaria celeste sobre a minha respiração.

Eu penso em mudar estes campos deitados, criar
um nome para as coisas.
Onde era estábulo, na doce morfologia
fazer
com que as estrelas mugissem e as poeiras
ressuscitassem.
Dizer: rebentem os taludes, enlouqueçam as vacas,
que a minha inteligência se torne terrífica.
Unir a ferocidade da noite ao inebriado
movimento da terra.
Posso mudar a arquitectura de uma palavra.
Fazer explodir o descido coração das coisas.
Posso meter um nome na intimidade de uma coisa
e recomeçar o talento de existir.
Meto na palavra o coração carregado de uma coisa.
Eu posso modificar-me.
Ser mais alto que a corrupção.

Campos abanados pelo silêncio. Alguém como eu
mergulhando no que é obscuro
das vacas dormindo.
Estrelas giradas, de repente mortas
sobre mim. Penso alterar tudo,
recuperar agora as colinas do mundo.
Falando de amor, eu falo
do génio destruidor. Falo que é preciso
criar a velocidade das coisas.
Que é preciso caçar flores, golpear as estrelas,
meter o sono nas vacas, desentranhar-lhes
o sono,
dar o sono às estrelas.
Enlouquecer.

Que é preciso recriar o criar, meu Deus, ser truculento.
Ser simples e não o ser.
Abandonar os campos, rodopiar
a inteligência, a crueldade.
Abro a porta para não esquecer esta
absurda tarefa.
Esta tão particular necessidade.
Porque agora deixei totalmente de ser puro.
Levanto-me para dar de comer quentes
estrelas às vacas.
Sou tão puro, meu Deus, tão truculento.
É preciso principiar.
Digo baixo o nome. Corto os pés das estrelas.
Deixá-las na sua seiva estremeceste.
Digo baixo que é talento envenená-las.
Minha alegria furibunda é a pureza do mundo.
E é tão belo agarrar com os ossos
que há dentro das mãos
na ponta de um nome, e desdobrá-lo.
Arrancar essa alma apertada.
Porque eu sei o estilo de uma alma
precisamente original.
Corto as estrelas das vacas.
Trago candeias para os campos extraordinários.

Porque eu bato na porta com o meu júbilo furioso.
O amor acumula-se.
É para dar o ardor em doce dissipação.
Deus não sabe e sorri, esmigalhado
contra o muro humano.
Respiro, respiro. As coisas respiram.
Esta oferta masculina vocifera na terra.
Criar é delicado.
Criar é uma grande brutalidade.
Porque eu sou feliz. Durmo
na obra.
Só eu sei que a loucura minou este ser
inexplicável
que me estende nas coisas.
A loucura entrou em cada osso,
e os campos são o meu espelho.
Esta imagem perfeita arromba os espelhos.
Os nomes são loucos,
são verdadeiros.

Referência:

HÉLDER, Herberto. Poemacto (IV). In: COSTA E SILVA, Alberto da; BUENO, Alexei (orgs.). Antologia da poesia portuguesa contemporânea: um panorama. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999. p. 231-233.

terça-feira, 24 de março de 2015

Gonçalves de Magalhães - A Beleza

O diplomata, ensaísta e poeta carioca Gonçalves de Magalhães – considerado por muitos como o autor da obra inaugural do Romantismo no Brasil, ou melhor, “Suspiros Poéticos e Saudades” – também cantou loas à experiência do belo.

Somente não foi bela a polêmica que o autor travou com José de Alencar sobre a visão que se deveria ter do indígena na literatura ou mesmo sobre o ponto de vista social. Mas isso não vem ao caso aqui: o que importa, neste ‘locus’, é a manifestação do que seja formoso, encantador, gracioso, magnânimo ou que mais possamos arregimentar de sinonímias.

J.A.R. – H.C.

Gonçalves de Magalhães
(1811-1882)

A Beleza

Oh Beleza! Oh potência invencível,
Que na terra despótica imperas;
Se vibras teus olhos
Quais duas esferas,
Quem resiste a teu fogo terrível?

Oh Beleza! Oh celeste harmonia,
Doce aroma, que as almas fascina;
Se exalas suave
Tua voz divina,
Tudo, tudo a teus pés se extasia.

A velhice, do mundo cansada,
A teu mando resiste somente;
Porém que te importa
A voz impotente,
Que se perde, sem ser escutada?

Diga embora que o teu juramento
Não merece a menor confiança;
Que a tua firmeza
Está só na mudança;
Que os teus votos são folhas ao vento.

Tudo sei; mas se tu te mostrares
Ante mim como um astro radiante,
De tudo esquecido,
Nesse mesmo instante,
Farei tudo o que tu me ordenares.

Se até hoje remisso não arde
Em teu fogo amoroso meu peito,
De estoica dureza
Não é isto efeito;
Teu vassalo serei cedo ou tarde.

Infeliz tenho sido até agora,
Que a meus olhos te mostras severa;
Nem gozo a ventura,
Que goza uma fera;
Entretanto ninguém mais te adora.

Eu te adoro como o anjo celeste,
Que da vida os tormentos acalma;
Oh vida da vida,
Oh alma desta alma,
Um teu riso sequer me não deste!

Minha lira que triste ressoa,
Minha lira por ti desprezada,
Assim mesmo triste,
Assim malfadada,
Teu poder, teus encantos pregoa.

Oh Beleza, meus dias bafeja,
Em teu fogo minha alma devora;
Verás de que modo
Meu peito te adora,
E que incenso ofertar-te deseja.

Referência:

MAGALHÃES, Gonçalves de. A beleza. In: MESQUITA, Ari de (Seleção, prefácio e notas). O Livro de ouro da poesia universal: 30 séculos de poesia do século IX a.c. até o século XX. Antologia. Rio de Janeiro: Tecnoprint/Ediouro, 1988. p. 387.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Octavio Paz - As Palavras

Um método meio iconoclasta a ser empregado na escrita, na redação de poesias, também está claro. Paz, o renomado Nobel (1990), emprega metáforas que nos fazem lembrar das sessões de imolação de animais, aves mais precisamente. Como se as estivesse sacrificando para oferecê-las a Apolo, que, entre outros atributos, favorecia as criações poéticas.

No meio do poema, o autor mexicano qualifica as palavras como “putas”, denotando o perfil mundano, dissoluto dos vocábulos, que servem para quaisquer intentos. Para construir e delinear o bem ou para demolir e propalar o mal. 

No entanto, no fundamento do poema está o exaustivo labor do poeta, o ‘modus operandi’ de que lançam mão para produzir fórmulas capazes de dar conta de métricas, ritmos e figuras – e mais do que isso! –, capturar a essência mesma da poesia.

J.A.R. – H.C.

Octavio Paz
(1914-1998)

Las Palabras

Dales la vuelta,
cógelas del rabo (chillen, putas),
azótalas,
dales azúcar en la boca a las rejegas,
ínflalas, globos, pínchalas,
sórbeles sangre y tuétanos,
sécalas,
cápalas,
písalas, gallo galante,
tuérceles el gaznate, cocinero,
desplúmalas,
destrípalas, toro,
buey, arrástralas,
hazlas, poeta,
haz que se traguen todas sus palabras.

Natureza-Morta com
Passáro e Salsichas
(Carlo Magini: pintor italiano)

As Palavras

Faze-as virar,
colhe-as pelo rabo (chiem, putas)
fustiga-as,
às insubmissas dá-lhes açúcar na boca,
infla-as, balões, perfura-as,
chupa-lhes o sangue e tutanos,
seca-as,
castra-as,
pisa-as, galo galante,
torce-lhes o gasganete, cozinheiro,
depena-as, touro,
boi, arrasta-as,
faze-as, poeta,
zela pela absorção de todas as tuas palavras.

Referência:

PAZ, Octavio. Las palabras. In: ARDUZ, J. C. Iván Canelas (Ed.). Antología de la poesía universal. Tomo III. América 2. Oruro, BO: Latinas, 1996. p. 73-74.

domingo, 22 de março de 2015

Archibald MacLeish - Ars Poetica

Todo poeta enceta passeios sobre a sua própria arte. Como já tivemos inúmeras oportunidades de ilustrar neste espaço, a arte de fazer poesia também é tema para inúmeras poesias. Metapoesias, portanto. De Carlos Drummond de Andrade a Antonin Artaud; de João Cabral de Melo Neto a Archibald MacLeish.

Neste último caso, nos moldes em que o poeta e bibliotecário norte-americano a retrata em seu poema “Ars Poetica”, homônimo indisfarçável do referente de Horácio (65 a.c. – 8 a.c): “um poema não deve significar, mas ser”. Valer por si próprio, pelo que diz ou silencia. Por sua estática, pela decantação dos estratos que deposita no mais profundo da alma. Pela experiência singular da apreciação do belo.

J.A.R. – H.C.

Archibald MacLeish
(1892-1982)

Ars Poetica

A poem should be palpable and mute  
As a globed fruit,

Dumb
As old medallions to the thumb,

Silent as the sleeve-worn stone
Of casement ledges where the moss has grown −

A poem should be wordless  
As the flight of birds.

A poem should be motionless in time  
As the moon climbs,

Leaving, as the moon releases
Twig by twig the night-entangled trees,

Leaving, as the moon behind the winter leaves,  
Memory by memory the mind −

A poem should be motionless in time  
As the moon climbs.

A poem should be equal to:
Not true.

For all the history of grief
An empty doorway and a maple leaf.

For love
The leaning grasses and two lights above the sea −

A poem should not mean  
But be.

Ars Poética
(Emna Zghal: artista tunisiana)

Ars Poetica

Um poema deve ser palpável e calado
Como um fruto arredondado,

Deve silenciar
Como velhos medalhões ao polegar,

Deve ser mudo como, gasta pelas mangas, a pedra
De parapeitos onde o musgo medra...

Um poema deve dispensar palavras
Como o voo das aves.

Um poema deve ser estático no tempo
Como a lua ascende,

Deixando, como a lua deixa soltas,
Ramo por ramo, as árvores em noite envoltas,

Deixando, como a lua atrás das folhas hibernais,
Memória por memória a mente...

Um poema deve ser estático no tempo
Como a lua ascende.

Um poema deve ser uma igualdade:
Não a verdade.

Por toda a história da agonia:
Uma folha de bordo e uma porta vazia.

Pelo amor:
Duas luzes sobre o mar e as relvas a pender...

Um poema não deve significar
Mas ser.

Referência:

MACLEISH, Archibald. Ars Poetica / Ars Poetica. In: VIZIOLI, Paulo (Seleção e Tradução). Poetas norte-americanos. Antologia Bilíngue. Edição Comemorativa do Bicentenário da Independência dos Estados Unidos da América: 1776-1976. Rio de Janeiro, RJ: Lidador, 1974. p. 115.