Alpes Literários

Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 31 de outubro de 2009

O onírico, o metafísico e o poético em Fernando Pessoa

Em face da minha ascendência lusitana, sinto-me suficientemente suspeito para falar de Fernando Pessoa. Contudo, isso não me impede de admirar o caráter multifacetado de sua poesia - criação de uma mente multiforme, heteronímica, até mesmo ambivalente. Alguns de seus poemas parecem apoiar sentimentos reflexos já assentes, por exemplo, numa canção que foi sucesso de Milton Nascimento e Tunai, nos anos 80: "Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / como não fui eu que (as) fiz ?" ...! Parodio a dupla mineira então: como não criei a poesia abaixo, se nela encontro autoidentificação ? (JAR/HC).


Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Brasileirão 2009 - Projeção para o Final após a 32ª Rodada

Aqui estão os novos números para a projeção final do Brasileirão 2009, depois da 32ª rodada, terminada ontem com a vitória do Palmeiras de 4 x 0 sobre o Goiás. A projeção considera as médias de pontos ganhos, dentro e fora de casa, além da tabela de jogos até a última rodada, para cada um dos vinte times.

Um abração a todo(a)s.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

31ª Rodada do Brasileirão - Projeção para o Fim

Após o término da 31ª Rodada do Brasileirão 2009, a considerar as médias de pontos de conquistados por cada time, dentro e fora de casa, além dos jogos que faltam para o final do certame, a projeção que se obtém seria mais ou menos a abaixo apresentada. Obviamente que os números assim obtidos reproduzem, em grande medida, o ocorrido até aqui. Mas penso que, ainda assim, valem como um exercício de futurologia.

Um abraço.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Outono


SONETO GÓTICO

Por caminhos inusitados lanço meu passo
Num lânguido fascínio de amor e morte
Desdenho de meu futuro e de minha sorte
Da paisagem serena o marasmo esgarço.

Meu destino é um contraforte copioso
De turbulência e frio e neve e penumbra
Onde subjaz a clave misteriosa dos dias
Sob o fluxo infindo de orgasmo e gozo.

Loquaz, digo a palavra a incitar agito
Nas águas profundas do mar absoluto
Onde o grito sonoro pode soar arguto

A incitar a criação de uma cortante ideia.
Mas nada disso sintetiza o que em mim medeia
Porque a nada aspiro no mundo, tampouco cogito.

[Castorp - BSB (DF) - 09.10.09]

Mensagem do Apóstolo Paulo

1ª CARTA DE PAULO AOS CORÍNTIOS - CAP.13 - VERS. 1-13
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. (...) O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. (...) Restam, pois, a Fé, a Esperança e o Amor; mas o maior destes é o Amor".

Pride

PRIDE (IN THE NAME OF LOVE) - U2

One man come in the name of love
One man come and go
One man come, he to justify
One man to overthrow.

In the name of love
What more in the name of love
In the name of love
What more in the name of love.

One man caught on a barbed wire fence
One man he resist
One man washed on an empty beach
One man betrayed with a kiss.

Early morning, April 4
Shot rings out in the Memphis sky
Free at last, they took your life
They could not take your pride.

Luís Vaz de Camões - Lisboa


AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor ?

Hermann Broch - Viena


VIENA - PALÁCIO SCHÖNBRUNN

"Nada é concebível para o homem a não ser o que lhe haja sido designado desde o início, ensombreado pelas visões da mocidade. Pois a alma sempre se encontra no seu início, apega-se à grandeza de seu despertar inicial, e o próprio fim tem para ela a dignidade do princípio; nenhuma cantiga se perderá que jamais tiver tangido as cordas da sua lira, e predisposta à prontidão eternamente renovada, conserva a alma qualquer som que jamais a tenha feito vibrar".

('A Morte de Virgílio' - Hermann Broch - Escritor Austríaco)

Robert Frost - São Francisco

SÃO FRANCISCO - GOLDEN GATE BRIDGE

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day !
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I
- I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

('The Road Not Taken' -
Robert Frost - Poeta Nascido em S.F.)

Marcel Proust - Paris


PARIS - SENA E TORRE EIFFEL
"Como os diferentes acasos que nos põem em presença de certas pessoas não coincidem com o tempo em que nós as amamos, mas, ultrapassando-o, podem suceder antes que ele comece e repetir-se depois que findou, as primeiras aparições que faz em nossa vida um ser destinado a agradar-nos mais tarde, assumem retrospectivamente para nós um valor de advertência, de presságio".
('Nos Caminhos de Swann' - Marcel Proust - Escritor Francês)